16/07/15

Orar a Jesus

O Novo Testamento ensina-nos constantemente a orar a Deus Pai. Quando interrogado pelos discípulos sobre como deveriam orar, Jesus ensina: “Quando orardes, dizei: Pai...” (Lc. 11:2), pronunciando a mais famosa oração de toda a Bíblia, seguindo a prática veterotestamentária e judaica de orar exclusivamente a Deus.
Embora a atividade intercessória de Jesus seja explícita (Rm. 8:34; Hb. 7:25), não se vê em toda a Escritura nenhuma menção direta à necessidade de recorrer a Jesus, isto é, louvá-lo, fazer-lhe súplicas ou expressar gratidão em uma oração direta. Não obstante, parece natural orar a Jesus. Além de ser uma prática tradicional e quase universal entre os cristãos, parece ser uma dedução de nossa cristologia: se cremos que Jesus é Deus, por que não expressaríamos nossa comunhão com ele em oração?
É claro que respostas puramente dedutivas ou meramente tradicionais, como essas, têm seus perigos.  Por isso resolvi escrever esse artigo para recordar alguns textos bíblicos em que foram feitas orações diretas a Jesus. A base do argumento é: devemos orar a Jesus porque os primeiros discípulos oravam a Jesus (além do Pai). Dou por suposto que os leitores reconhecem as várias injunções bíblicas sobre a necessidade de imitar o exemplo dos primeiros discípulos.
Separei essas evidências em quatro grupos, mais ou menos de acordo sua natureza, da menos direta à mais direta. Esta não é uma lista exaustiva; é perfeitamente possível que não conste abaixo algum texto importante. Mas creio que a lista é, de certa maneira, decisiva.
Primeiro, os cristãos podem ser reconhecidos como "os que (...) invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo" (I Co. 1:2); “todos os que invocam o teu nome”, isto é, de Jesus (At. 9:14). A expressão grega, epikaleomai, guarda certa ambigüidade, podendo indicar tanto a invocação direta (como em oração) quanto a invocação da autoridade sobre algo (epi = sobre; kaleō = chamar), como em uma bênção e no batismo, em que o nome de Deus é pronunciado sobre uma pessoa.

Em tal categoria entram os textos em que os apóstolos pronunciam bênçãos sobre os leitores, como II Co. 13:14 ou II Te. 2:16,17, em que o nome de Jesus é explicitamente mencionado. Embora a bênção não seja uma comunicação direta com Jesus, certamente é um tipo indireto de invocação. Além disso, há os diversos hinos de louvor a Cristo expressos no Novo Testamento, como aquele de Ap. 5:13.

Segundo, há vários textos em que os primeiros discípulos explicitamente falavam com Cristo após sua ascensão. São comunicações diretas com Cristo; à beira da morte, Estêvão diz “Senhor Jesus, recebe o meu espírito” (At. 7:59), enquanto Ananias expõe o temor de orar por Paulo, recém convertido (At. 9:13,14). Apesar disso, a evidência parece diminuída pelo fato de que essa comunicação é ocasionada por alguma aparição extraordinária de Jesus, e não uma prática constante.
Terceiro, na terceira categoria, entramos no terreno sólido das orações feitas diretamente a Jesus, como uma prática deliberada. Um texto muito explícito é II Co. 12:7-9, lido com atenção:
II CORÍNTIOS 12
7 E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte.
8 Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim.
9 Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo.

Paulo quase sempre reserva a expressão “Deus” para o Pai, enquanto “Senhor” usa com referência a Jesus (cf. I Co. 8:6). Fica claro que o Senhor, a quem Paulo três vezes orou, é Cristo. Deve-se incluir nessa categoria o Maranata (1Co. 16:22; cf. Ap 22:20), pequena oração aramaica em que se pede ao Senhor por sua vinda.
Quarto, as exortações a orar a Jesus. A mais famosa é João 14:14.
JOÃO 14
13 E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho.
14 Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei.

Em português, a versão Almeida Revista e Atualizada é uma das poucas que trazem o pronome oblíquo me. Sem o pronome, o texto parece conformar-se à prática de orar ao Pai em nome de Jesus, o que o restante do Quarto Evangelho parece confirmar. Entretanto, os mais antigos manuscritos gregos apresentam o pronome, e os críticos textuais argumentam em geral por sua inclusão. Problema semelhante ocorre em At. 8:22. Podemos incluir aqui ainda Ef. 5:19, texto em que se ensina aos cristãos a louvar “ao Senhor”. Se aí o uso segue a prática neotestamentária de geralmente reservar o uso da expressão “Senhor” para Jesus, o texto indica o louvor a Cristo, o que é um modo de oração.
A evidência aponta, no mínimo, não há nada de errado em orar a Jesus (em oposição a orar unicamente ao Pai).

G. M. Brasilino

Um comentário:

  1. Pr, fico feliz em ser um dos seguidores desse SIte abencoador na minha vida, abracos. Pr.Jonan

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