25/03/15

Jesus morreu na Sexta-Feira

Estamos perto da Páscoa. A comemoração tradicional, a semana santa, gira em torno da última semana do ministério terreno de Jesus, desde sua entrada messiânica em Jerusalém (Domingo de Ramos) até sua ressurreição (Domingo de Páscoa), período precedido da Quaresma e sucedido pelo Pentecostes. É o período mais importante do calendário: comemora-se a morte sacrificial e ressurreição vitoriosa do Salvador.

Quase todo ano acontece a mesma coisa: na Páscoa e no Natal aparece algum espertinho afirmando que aquela data está errada. No Natal, é a negação do dia 25 de dezembro; como a Páscoa não tem data fixa, sendo calculada para cada ano, ataca-se um dos dias da páscoa, que é justamente a sexta-feira. Jesus teria morrido na quarta feira ou na quinta, não na sexta, afirma-se.

Pretendo aqui demonstrar que o dia correto da crucificação é o dia tradicional, a sexta-feira. A crucificação teria a mesma importância, qualquer que fosse o dia em que se realizasse. Quarta, quinta, sexta-feira, tanto faz! O propósito do texto é muito mais o de mostrar um dos muitos equívocos da leitura fundamentalista da Bíblia, que propõe interpretar os textos bíblicos o mais literalmente possível, impondo aos textos uma harmonização rasteira que esconde a variedade de inconsistências que ela mesma cria. Esse desejo de literalidade é, no fim das contas, um desejo de dominar o texto.



A estrutura tradicional


A tabela a seguir representa os principais acontecimentos dos últimos dias de Jesus, contando do dia em cuja noite ele foi traído até o domingo da ressurreição. Para os judeus, a noite de cada dia era considerada também parte do dia posterior, de modo que a guarda do sábado começa na noite da sexta; esquematicamente, a “noite da traição” foi incluída no dia anterior, mas isso não modifica a substância dos fatos.

Foram incluídos apenas os evangelhos sinóticos, visto que no Quarto Evangelho há vários detalhes que complicariam a exposição; de todo modo, como nenhum evangelista escreveu para ser lido juntamente com os demais, qualquer um deles isoladamente conduziria às mesmas conclusões.


MATEUS
MARCOS
LUCAS


DIA 1

Noite da traição
1. Santa Ceia
(26:17-29)
2. M. das Oliveiras (26:30-56)
3. Sinédrio
(26:57-68)
4. Negação
(26:69-75)
1. Santa Ceia
(14:17-25)
2. M. das Oliveiras (14:26-52)
3. Sinédrio
(14:53-65)
4. Negação
(14:66-72)
1. Santa Ceia
(22:14-38)
2. M. das Oliveiras
(22:39-53)
3. Negação
(22:54-65)



DIA 2

Dia da Crucificação

“Dia da Preparação”
(Mc 15:42; Lc 23:54)



1. Pilatos
(27:1-31)
2. Crucificação
(27:32-56)
3. Sepultamento
(27:57-61)


1. Pilatos
(15:1-19)
2. Crucificação
(15:20-41)
3. Sepultamento
(15:42-47)

1. Sinédrio
(22:65-71)
2. Pilatos
(23:1-25)
3. Crucificação
(23:26-49)
4. Sepultamento
(23:50-56a)


DIA 3

“Dia após a preparação”, Mt 27:62



Tumba vigiada por romanos
(27:62-66)



Repouso sabático
(23:56b)

DIA 4

Domingo

“Primeiro dia da semana”
(Mt 28:1; Mc 16:1; Lc 24:1)






Ressurreição
(28:ff)





Ressurreição
(16:ff)





Ressurreição
(24:ff)

Como o dia da Crucificação é o “dia da preparação” (Mc 15:42; Lc 23:54), o dia seguinte é o Sábado, que é o “dia após a preparação” (Mateus 27:62). “Preparação” é a preparação para a guarda do Sábado (que inicia na noite seguinte à sexta-feira).

Indicando-se a sequência correta de dias seria:


5ª Feira
6ª Feira
Sábado
Domingo
Dia

Jesus é crucificado
Jesus está morto
Jesus reaparece
Noite
Jesus é preso
Jesus está morto
Jesus está morto


A tabela indica, obviamente, o período em que Jesus passou morto: o dia do Sábado e as duas noites que o cercam. Seriam, a rigor, um dia e duas noites, contados literalmente. Arredondados os dias da crucificação (pois ainda era dia quando Jesus foi posto na tumba) e o da ressurreição, teríamos três dias e duas noites.



A profecia de Mateus 12:40


Os que negam a sexta-feira como dia da crucificação baseiam-se  exclusivamente — no texto de Mateus 12:40, no qual Jesus anuncia a sua morte.

Mateus XII (NVI)
40 Pois assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre de um grande peixe, assim o Filho do homem ficará três dias e três noites no coração da terra.

O texto obviamente não se adequa ao esquema apresentado logo acima (um dia e duas noites). Por isso, são acrescentados dois dias entre a crucificação e a ressurreição. Assim:


4ª Feira
5ª Feira
6ª Feira
Sábado
Domingo
Dia
Jesus é crucificado
Jesus está morto
Jesus está morto
Jesus está morto
Jesus reaparece
Noite
Jesus está morto
Jesus está morto
Jesus está morto
Jesus está morto


O erro mais óbvio dessa interpretação é esquecer a noite do dia da crucificação, na qual Jesus está morto (indicação em laranja). Jesus morre enquanto ainda é dia. Assim, acrescentar dois dias de nada adianta: são três dias e quatro noites. Peca-se pelo excesso.

Há quem haja proposto uma inserção de apenas um dia, considerando a manhã do domingo como outro dia. Assim, a crucificação teria sido numa quinta-feira:


5ª Feira
6ª Feira
Sábado
Domingo
Dia
Jesus é crucificado
Jesus está morto
Jesus está morto
Jesus reaparece
Noite
Jesus está morto
Jesus está morto
Jesus está morto


Assim, teríamos três dias e três noites. Mas é óbvio que essa interpretação peca pela falta: estritamente falando, temos apenas dois dias e três noites, porque, embora Jesus tenha reaparecido no domingo, ele não “ficou no solo da terra” durante aquela manhã.

Se, como argumentam os defensores da teoria da quinta-feira, o domingo deve ser “arredondado” como uma manhã inteira, o que é bem razoável (como depois veremos), o mesmo princípio deve ser aplicado ao dia da crucificação, pois Jesus foi sepultado antes do cair da noite (para que não haja violação do repouso), e, portanto, teremos quatro dias e três noites! É possível criar uma outra versão da teoria da quinta-feira, arredondando o dia da quinta-feira (em vez do domingo), mas o resultado é o mesmo: teremos que aplicar o mesmo princípio ao domingo, e teremos novamente quatro dias e três noites.

Portanto, qualquer que seja o cálculo que se faça, não é possível conseguir “três dias e três noites”. Falta ou excesso, não há escape.



A teoria dos “dois sábados”


Embora o que foi dito baste para refutar as teorias da quarta e da quinta-feira, um ponto precisa ser tratado, que talvez seja utilizado como argumento. Diante da impossibilidade textual de encontrar “três dias e três noites” explícitos entre as narrativas da paixão e da ressurreição dos evangelhos, os intérpretes fundamentalistas inventaram uma teoria mirabolante: a de que naquela semana havia “dois sábados”, isto é, dois dias de observância religiosa judaica; um seria o sétimo dia comum da semana, o outro seria o sábado especial da Páscoa.

É claro que nada disso é dito no texto; jamais se fala ali de “dois sábados”. Mas o leitor fundamentalista sempre dá um jeito: observando no texto grego o plural da palavra “sábado” (Mt 28:1; Lc 24:1; Jo 20:1), encontra a “prova” dos dois sábado. Para ele, tanto faz se em Mc 16:1, na mesma referência, o sábado está no singular, e, no versículo seguinte, aparece no plural, indicando serem as expressões sinônimas.

Ocorre que o plural de “sábado” no texto grego não indica mais de um sábado. O genitivo plural de sábado (sabbatōn) indica semana. Não havia outra palavra para indicar “semana”. O único modo como os judeus de língua grega poderiam falar do primeiro dia da semana era indicando-o por referência ao sábado (visto não haver, ademais, nomes para os dias da semana); a semana surge do sábado, e não o sábado da semana.

Portanto o que se diz ali é que a semana havia passado, e despontava o novo dia da nova semana. Uma das maiores provas disso está no uso grego de At 20:7, em que ocorre a mesma expressão que o mesmo autor usa em Lc 24:1: tē mia tōn sabbatōn. Não há qualquer motivo contextual para pensar que a mesma expressão, do mesmo escrito, tivesse dois sentidos diferentes. Ademais, o texto fala de somente um repouso, não dois (Lc 23:56b).

Por comparação, ocorre em 1Co 16:2 expressão análoga (kata mian sabbatou), agora no singular, mas com sentido idêntico. O mesmo autor indica um só dia de sábado como “no dia dos sábados” (en tē hēmera tōn sabbatōn), em Lc 4:16 (o mesmo em Jo 20:19; At 13:14; 16:13), demonstrando que a presença do plural de sábado não indica pluralidade de dias, ao contrário do que poderia sugerir nosso costume de chamar o sétimo dia da semana de “Sábado”. Por isso os tradutores corretamente vertem o genitivo sabbatōn ora como “semana”, ora “sábado”, conforme se adequar ao contexto; jamais como “sábados”!



Os demais anúncios da crucificação


Antes de explicar Mateus 12:40, é necessário observar os demais anúncios da morte e ressurreição nos evangelhos sinóticos, além de outros textos relevantes no Novo Testamento.

Marcos apresenta três anúncios da ressurreição, repetidos textualmente em Mateus, em três momentos específicos: a confissão de Pedro, o ministério na Galiléia e a subida para Jerusalém. Lucas apresenta apenas o primeiro e o último prenúncios, que são, na realidade, os mais importantes: o primeiro porque marca o início dos prenúncios e por estar ligado ao desvelamento do “segredo messiânico” com a Confissão de Pedro; o último, justamente porque marca o fim dos prenúncios, aproximando-se Jesus de onde se cumpririam (Jerusalém).

MATEUS
MARCOS
LUCAS
16:21 Desde então começou Jesus a mostrar aos seus discípulos que convinha ir a Jerusalém, e padecer muitas coisas dos anciãos, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia [tē tritē hēmera].

8:31 E começou a ensinar-lhes que importava que o Filho do homem padecesse muito, e que fosse rejeitado pelos anciãos e príncipes dos sacerdotes, e pelos escribas, e que fosse morto, mas que depois de três dias [meta treis [meta treis hēmeras] ressuscitaria.
9:22 Dizendo: É necessário que o Filho do homem padeça muitas coisas, e seja rejeitado dos anciãos e dos escribas, e seja morto, e ressuscite ao terceiro dia [tē tritē hēmera].


17:22 Ora, achando-se eles na Galiléia, disse-lhes Jesus: O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens;
17:23 E matá-lo-ão, e ao terceiro dia [tē tritē hēmera] ressuscitará. E eles se entristeceram muito.
9:31 Porque ensinava os seus discípulos, e lhes dizia: O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens, e matá-lo-ão; e, morto ele, ressuscitará ao terceiro dia [meta treis hēmeras].

20:17 E, subindo Jesus a Jerusalém, chamou de parte os seus doze discípulos, e no caminho disse-lhes:
20:18 Eis que vamos para Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes, e aos escribas, e condená-lo-ão à morte.
20:19 E o entregarão aos gentios para que dele escarneçam, e o açoitem e crucifiquem, e ao terceiro dia [tē tritē hēmera] ressuscitará.
10:33 Dizendo: Eis que nós subimos a Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes, e aos escribas, e o condenarão à morte, e o entregarão aos gentios.
10:34 E o escarnecerão, e açoitarão, e cuspirão nele, e o matarão; e, ao terceiro dia [meta treis hēmeras], ressuscitará.
18:31 E, tomando consigo os doze, disse-lhes: Eis que subimos a Jerusalém, e se cumprirá no Filho do homem tudo o que pelos profetas foi escrito;
18:32 Pois há de ser entregue aos gentios, e escarnecido, injuriado e cuspido;
18:33 E, havendo-o açoitado, o matarão; e ao terceiro dia [tē hēmera tē tritē] ressuscitará.

Mateus e Lucas usam a mesma expressão: tē tritē hēmera (ou a variante tē hēmera te tritē, uso atributivo restritivo do adjetivo), um dativo de tempo que significa “no terceiro dia” ou “durante o terceiro dia”. Portanto, não indica algo que acontece após o terceiro dia, mas durante ele. A mesma expressão ocorre em Lc 24:46; At 10:40; 1Co 15:4, todos posteriores à ressurreição.

A expressão usada por Marcos meta treis hēmeras significa “após três dias”. Traduzida assim, ela fortaleceria a posição de que seriam “três dias e três noites literais”. A preferência de Mateus e Lucas por tē tritē hēmera demonstra, na realidade, a superioridade da clareza dessa expressão em relação à usada por Marcos (que geralmente tem um grego pior que os demais evangelistas). De todo modo, essa expressão parece também em Mateus 27:63,64, como sinônima de outra expressão (e portanto também como sinônima das demais expressões utilizadas por Mateus):

MATEUS XXVII (NVI)
62 No outro dia, que era o seguinte ao da Preparação, os chefes dos sacerdotes e os fariseus dirigiram-se a Pilatos
63 e disseram: "Senhor, lembramos que, enquanto ainda estava vivo, aquele impostor disse: ‘Depois de três dias [meta treis hēmeras] ressuscitarei’.
64 Ordena, pois, que o sepulcro dele seja guardado até o terceiro dia [heōs tēs tritēs hēmeras], para que não venham seus discípulos e, roubando o corpo, digam ao povo que ele ressuscitou dentre os mortos. Este último engano será pior do que o primeiro".

É óbvio que, se a função dos guardas era guardar o corpo de Jesus até o terceiro dia (e não até o quarto), “depois de três dias” deve ser entendido como “durante o terceiro dia”. Os guardas teriam de estar lá no momento da “ressurreição” (isto é, o roubo do corpo, segundo aqueles judeus). Do contrário, a guarda seria inútil! Esse sentido de heōs tēs tritēs hēmeras se esclarece pelo uso feito em Lv 19:6,7 (LXX), discutido a seguir.

Assim, nada há nos anúncios da paixão e ressurreição, seja prévios, seja posteriores, que indique “três dias e três noites”. A ressurreição deveria se dar no terceiro dia, não após ele.



A contagem judaica do tempo


Não contamos o tempo do mesmo modo como os judeus do período de Jesus. Definimos o tempo de maneira exata (1 dia = 12 horas de dia + 12 hora de noite = 24 horas), e passamos a contar o tempo a partir de um acontecimento. O mesmo não se evidencia nas Escrituras. Por exemplo:

LEVÍTICO XIX (NVI)
5 "Quando vocês oferecerem um sacrifício de comunhão ao Senhor, ofereçam-no de modo que seja aceito em favor de vocês.
6 Terá que ser comido no dia em que o oferecerem, ou no dia seguinte; o que sobrar até ao terceiro dia [LXX = heōs hēmeras tritēs] será queimado.
7 Se alguma coisa for comida no terceiro dia, estará estragada e não será aceita.

O primeiro dia é aquele em que algo é feito; o dia seguinte não é contado como o primeiro dia (após o fato), mas como o segundo dia (a partir do dia do fato). Portanto, Levítico não conta três dias como “72 horas” (3x24), mas como menos de 48; se o sacrifício ocorresse ao meio dia de hoje, são menos de 48 horas até o raiar do “terceiro dia”, em que as sobras teriam de ser queimadas. O cálculo é fluído. O mesmo se pode evidenciar em Êxodo 19:10,11. Esse modo de contar encaixa-se exatamente em Lucas 24:20,21, que nos conta que, desde a crucificação, o domingo era já o terceiro dia! A prova de que esse tipo de conta ainda era usado no período apostólico é o seu uso explícito em Lucas 13:31,32:

LUCAS XIII
31 Naquela mesma hora, alguns fariseus vieram para dizer-lhe: Retira-te e vai-te daqui, porque Herodes quer matar-te.
32 Ele, porém, lhes respondeu: Ide dizer a essa raposa que, hoje e amanhã, expulso demônios e curo enfermos e, no terceiro dia [tē tritē], terminarei.


Esse tipo de cômputo aparece nos textos do AT que fazem referência explícita a “três dias e três noites”: Et 4:16; 5:1; 1Sm 30:12,13.

ESTER IV (ARA)
16 Vai, ajunta a todos os judeus que se acharem em Susã, e jejuai por mim, e não comais, nem bebais por três dias, nem de noite nem de dia; eu e as minhas servas também jejuaremos. Depois, irei ter com o rei, ainda que é contra a lei; se perecer, pereci.

ESTER V (ARA)
1 Ao terceiro dia, Ester se aprontou com seus trajes reais e se pôs no pátio interior da casa do rei, defronte da residência do rei; o rei estava assentado no seu trono real fronteiro à porta da residência.

O texto de Ester apresenta o paralelo perfeito para com a narrativa da ressurreição, porque, embora apresente “três dias e três noites”, não é isso que literalmente se cumpre, pois tudo se dá “ao terceiro dia”. Semelhante ocorre em 1Sm 30:12, em que “três dias e tês noites” indica, na realidade, apenas três dias de uma seqüência, e não três dias e três noites completos.

Foi escolhida a versão Almeida Revista e Atualizada (ARA) porque outras versões consultadas trazem um sentido distinto do hebraico, que não fala em “após três dias”, mas “no terceiro dia”, marcado pela preposição inseparável “ba”, correspondente a “em” (bayyôm haššelîšî; LXX: en tē hēmera tē tritē).

Não é irrelevante o fato de que somente Mateus apresente os “três dias e três noites”, inexistente no paralelo sinótico:

MATEUS 12:39-42
LUCAS 11:29-32
39 Ele respondeu: "Uma geração perversa e adúltera pede um sinal miraculoso! Mas nenhum sinal lhe será dado, exceto o sinal do profeta Jonas.

29 Aumentando a multidão, Jesus começou a dizer: "Esta é uma geração perversa. Ela pede um sinal miraculoso, mas nenhum sinal lhe será dado, exceto o sinal de Jonas.
40 Pois assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre de um grande peixe, assim o Filho do homem ficará três dias e três noites no coração da terra.
30 Pois assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, o Filho do homem também o será para esta geração.
41 Os homens de Nínive se levantarão no juízo com esta geração e a condenarão; pois eles se arrependeram com a pregação de Jonas, e agora está aqui o que é maior do que Jonas.
31 A rainha do Sul se levantará no juízo com os homens desta geração e os condenará, pois ela veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão, e agora está aqui o que é maior do que Salomão.
42 A rainha do Sul se levantará no juízo com esta geração e a condenará, pois ela veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão, e agora está aqui o que é maior do que Salomão.
32 Os homens de Nínive se levantarão no juízo com esta geração e a condenarão; pois eles se arrependeram com a pregação de Jonas, e agora está aqui o que é maior do que Jonas".

Se Lucas conhecia a referência aos “três dias e três noites” (uma possibilidade, por Lc 1:1-4), o motivo de tê-la deixado de fora é saber que ela seria incompreendida por seus leitores gentios, que é justamente o que ocorre com os criadores da teoria da quarta feira.

Assim, o grande erro da leitura fundamentalista é interpretar a profecia de Mt 12:40 com estrita literalidade, e então aplicar essa literalidade aos fatos, quando o correto seria o contrário: interpretar a profecia à luz do cumprimento indicado pela própria Escritura.


(G. M. Brasilino)

2 comentários:

  1. Quando iniciei minha pesquisa diletante acerca da origem do cristianismo, eu já tinha uma ideia formada que pode parecer esdrúxula: a perseguição aos judeus. Portanto, nada de Bíblia, teologia e história das religiões. Todos os que haviam explorado esse caminho haviam chegado à conclusão alguma. Contidos num cercadinho intelectual, no máximo, sabiam que o que se pensava saber não era verdade. É isso o que a nossa cultura espera de nós, pois não tolera indiscrições. Como o mundo não havia parado para que o Novo Testamento fosse escrito, o que esse mesmo mundo poderia me contar a respeito dessa curiosidade histórica? Afinal, o que acontecia nos quatro primeiros séculos no mundo greco-romano, entre gregos, romanos e judeus? Ao comentar o livro “Jesus existiu ou não?”, de Bart D. Ehrman, exponho algumas das conclusões as quais cheguei e as quais o meio acadêmico de forma protecionista insiste ignorar.

    http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/paguei-pra-ver

    ResponderExcluir
  2. Quando iniciei minha pesquisa diletante acerca da origem do cristianismo, eu já tinha uma ideia formada que pode parecer esdrúxula: a perseguição aos judeus. Portanto, nada de Bíblia, teologia e história das religiões. Todos os que haviam explorado esse caminho haviam chegado à conclusão alguma. Contidos num cercadinho intelectual, no máximo, sabiam que o que se pensava saber não era verdade. É isso o que a nossa cultura espera de nós, pois não tolera indiscrições. Como o mundo não havia parado para que o Novo Testamento fosse escrito, o que esse mesmo mundo poderia me contar a respeito dessa curiosidade histórica? Afinal, o que acontecia nos quatro primeiros séculos no mundo greco-romano, entre gregos, romanos e judeus? Ao comentar o livro “Jesus existiu ou não?”, de Bart D. Ehrman, exponho algumas das conclusões as quais cheguei e as quais o meio acadêmico de forma protecionista insiste ignorar.

    http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/paguei-pra-ver

    ResponderExcluir