24/07/13

Predestinação e Livre Arbítrio

INTRODUÇÃO

21 Conservai-vos a vós mesmos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna.
24 Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória.
25 Ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder, agora, e para todo o sempre. Amém.
(Judas 21,24,25)

Aqui estou novamente escrevendo alguma coisa sobre predestinação e livre-arbítrio. Trata-se de um texto mais descritivo e menos argumentativo, dada a dificuldade do tema. É um tema que fascina e atormenta.

Embora eu creia na predestinação divina, nunca fui um calvinista exato. A maior parte dos protestantes só conhece duas opções: arminianismo e calvinismo. E, de fato, quando algum protestante diz que não é nenhum dos dois, provavelmente é um arminiano menos instruído. Mas eu mostrei em postagens anteriores que sempre houve outras opções, ortodoxas ou heréticas (pelagianismo, semipelagianismo, molinismo, congruísmo, jansenismo, etc), mesmo antes da Reforma e especialmente após.

Embora minhas concepções acerca de vários detalhes tenham mudado com o tempo (girando em torno do agostinianismo clássico e do congruísmo), creio que Deus predestine os seus eleitos para a salvação. Creio que se trata de um ato por meio do qual Deus destina alguém para a crer nele, e para ser salvo através dessa fé. Não consigo acreditar em outra interpretação proposta para textos como João 6:37-44, ou Atos 13:48, ou Filipenses 2:13. Chama-se a isso eleição incondicional ou eleição ante praevisa merita. Deus elege independentemente de qualquer mérito que tenha visto ou previsto em sua criatura, mesmo a fé; pelo contrário, todas essas coisas são realizadas por Deus. Nisso Romanos 9. Não afirmo, como alguns calvinistas, de que se trata de uma predestinação tal que não haja motivo para o fato de o indivíduo X estar entre os eleitos, mas sim que esse motivo independe de qualquer coisa que haja ou venha a haver de virtuoso naquele indivíduo, e que esse motivo nos é desconhecido tanto quanto nos são desconhecidos os nomes dos eleitos (não tão desconhecidos assim, já que Abraão, Isaque e Jacó estão entre eles).

Mas, seja no agostinianismo, seja no congruísmo, creio que um daqueles a quem Deus concedeu fé pode, sim, cair terrivelmente e se afastar de Deus, deixando de crer, face ao pecado. Assim interpreto a Lucas 8:13 ("creem por algum tempo") e outros textos. Não se trata, entretanto, de uma violação do propósito de Deus. Sabemos aqui a resposta do calvinista nessa situação: o sujeito que morre sem fé nunca foi salvo, nunca creu verdadeiramente. Essa resposta não dá conta da complexidade geral do texto bíblico.

O texto abaixo é inspirado (não integralmente derivado!) em um tratado de (São) Bernardo de Claraval sobre graça e livre arbítrio. Mas não se atribua a ele tudo do que aqui consta, visto que há outras influências mais marcantes. Como se sabe, é uma grande dificuldade conciliar predestinação e livre arbítrio sem destruir um dos dois. Como é possível que eu decida o percurso e mesmo Deus controle os resultados? É ainda mais complicado quando se tenta unir esses dois conceitos a outros, como o desejo universal de salvação e a influência destrutiva do pecado sobre as escolhas. Agostinho tentou unir predestinação e livre arbítrio pela via da justaposição forçada. Creio que ele estava mais ou menos no caminho certo, necessitando apenas de que alguém explicasse melhor os conceitos por ele empregados. Muita confusão se origina de sua falta de clareza em alguns aspectos. Ele utiliza, ainda, um conceito muito vago de "graça", um tipo de "energia emanada", distante do texto bíblico. As coisas ficam, na realidade, mais claras quando se observa como essa graça efetivamente opera na conversão.

Por isso, preciso explicar três dons ou dádivas concedidas por Deus aos seus eleitos, para a sua conversão, para a sua perseverança e para a glória eterna.


I. CONHECIMENTO

23 "Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas,
24 Mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me entender e me conhecer, que eu sou o Senhor, que faço beneficência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor."
(Jeremias 9:24,25)

27 "Todas as coisas me foram entregues por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar."
(Mateus 11:27)

O primeiro dom que um eleito recebe para a salvação é o conhecimento. O homem não pode buscar a Deus sem saber quem Ele é e sem saber como deve fazê-lo. Deus é luz; o pecado são as trevas da alma humana, a profunda escuridão que impede o homem de ver a Deus como Ele realmente é, de contemplar sua Verdade, sua Bondade e sua Beleza absolutos. Pelo Espírito de Deus, são retiradas do homem as amarras do pecado e ele pode então ver diante de si a Deus como Ele realmente é.

Essa dádiva divina diz respeito a um conhecimento dado por Deus ao eleito acerca da revelação de Deus em Cristo e da verdade dessa revelação, através de que o eleito é capaz de compreender a genuína pregação do Evangelho (e mesmo a despeito dos defeitos daquele que lhe anuncia). Não se trata de um ato meramente intelectivo, embora certamente envolva a mente por completo, assim como não se trata de um conhecimento completo acerca de Deus, que somente Ele é capaz de ter, mas do conhecimento suficiente para que haja uma relação entre Deus e o homem.

Sendo Deus a causa, o sustentáculo e a finalidade de toda a existência (Romanos 11:36), Ele é o motivo único da vida humana. Assim, a revelação de quem é Deus é, simultaneamente, a revelação acerca de todo o propósito pelo qual a humanidade em geral existe, e em particular o propósito da existência daquele a quem esse conhecimento é dado. Esse a quem Deus dá-se a conhecer descobre a si mesmo, descobre o significado de seu próprio ser, de sua própria existência. O conteúdo desse conhecimento diz respeito a como é e como deve ser a relação entre o homem e Deus. Esse conhecimento inclui, ademais, o chamado interior que confirma a mensagem que exteriormente é ouvida (Atos 16:14;cf. Lucas 24:32).

Esse conhecimento é trazido por Deus de muitas formas, mas seu veículo ordinário no Novo Testamento é a loucura da pregação (1 Coríntios 1:21), por meio da qual a Igreja de Cristo comunica a salvação, acompanhada de sinais que autenticam a pregação mesma (1 Coríntios 2:1-5). Entretanto, Deus pode fazer uso de outros meios extraordinários (como a revelação pessoal feita a Paulo, Gálatas 1:11,12), desde que os seus eleitos chegem ao certo conhecimento de seu Filho. As expressões "ordinário" e "extraordinário" aqui dependem apenas da frequência do meio empregado; na realidade o conhecimento acerca de Cristo é sempre extraordinário em comparação ao conhecimento natural, seja qual for o meio.

A extensão desse conhecimento é variável. O ladrão crucificado a quem Jesus promete o Paraíso (Lucas 23:39-43) provavelmente não atingiu a mesma profundidade no conhecimento da salvação que teve o apóstolo Paulo, que já era conhecedor das Escrituras antes e recebeu revelação direta do Senhor para a própria conversão ao Evangelho. Deus proporciona ao menos o conhecimento suficiente para a sua conversão. Embora esse conhecimento não seja tão completo quanto o eleito talvez deseje, e embora possa parecer ao eleito até mesmo paradoxal ou insuficiente, Deus concede ao eleito o conhecimento que Ele sabe ser suficiente para a conversão.

A Sagrada Escritura não explica por que Deus dá a uns esse conhecimento e a outros não. É inegável que povos inteiros morreram sem chegar a esse conhecimento, assim como é inegável que em muitos lugares esse conhecimento esteja bem disponível a todos. Mesmo que Deus verdadeiramente deseje a salvação de todos (1 Timóteo 2:4), fato é que nem todos chegarão ao conhecimento da verdade mínimo de que se necessita para a salvação. "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer" (João 6:44a). Por que o Pai não os traz todos? Há tentativas de explicar essa questão, mas a Escritura mesma não nos dá nenhuma resposta que nos deixe sem dúvidas.

De fato, Deus proporciona a todos os homens um conhecimento de si através da sua criação, mas na Escritura esse conhecimento desempenha o papel único de culpar o homem por desonrar a Deus (Romanos 1:19-21). O mundo "não conheceu a Deus pela sabedoria" (1 Coríntios 1:21).


II. FORÇAS

40 "E quando chegou àquele lugar, disse-lhes: Orai, para que não entreis em tentação."
(Lucas 22:40)

Entretanto, esse conhecimento não é suficiente para que o coração do homem volte-se para Deus. Não basta ao homem saber que Deus existe e entender o que é a salvação; ele precisará comprometer sua própria vida para com essa verdade, precisa devotar ao Senhor sua fidelidade irrestrita.

No entanto, o homem em seu estado natural tem mais prazer em estar incurvatus in se (encurvado em si) que em viver coram Deo (diante de Deus), isto é, ama mais as trevas do que a luz, mesmo vendo a luz diante de seus olhos. O homem natural é servo do pecado (João 8:34). Por mais que Deus infunda nele a fé através de sua revelação, fazendo com que o homem deseje viver para Deus, seus atos são atos de pecado continuamente. Mesmo que deseje se sujeitar à lei de Deus, a lei do pecado o inclina contra Deus (Romanos 7:20-23).

Em razão do pecado que é herdado por todos os homens desde a queda (Romanos 5:12ss), o homem não consegue controlar suas ações perfeitamente; o homem não está de posse de si mesmo. Não é incomum ver pessoas por anos lutando contra hábitos que dominam suas ações. Essas pessoas querem mudar, mas é uma luta constante e difícil. Neste mundo, o domínio próprio não é conseguido sem sofrimento.

Felizmente luz e trevas não subsistem em um mesmo lugar e ao mesmo tempo. A existência de uma fé viva, capaz de amar a Deus acima de todas as coisas, depende de que a graça seja continuamente derramada por Deus, concedendo ao eleito forças para vencer o pecado (Gálatas 5:16,17). Deus concede esse auxílio de várias formas: internamente, pelo Espírito Santo, através da força que concede à vontade (já anteriormente santificada pela graça) de fazer calar a voz do pecado (Romanos 6:14); externamente, removendo do caminho uma tentação para a qual não se está suficientemente fortalecido pela graça interior, ou dando uma saía durante a tentação (1 Coríntios 10:13).


III. SATISFAÇÃO EM DEUS

11 "Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há fartura de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente."
(Salmos 16:11)

13 "Ora o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz em crença, para que abundeis em esperança pela virtude do Espírito Santo."
(Romanos 15:13)

Mesmo que conhecimento e força levem a Deus e sustentem o homem no caminho, trata-se de fato de um caminho doloroso. Exige que o homem renuncie a muito daquilo que era e a muito do que ama, visto que a conduta do homem natural se guia pelos impulsos do pecado, que lhe dão prazer. Diante do conhecimento da verdade, o homem tem diante de si a escolha: pode abdicar de seus prazeres pecaminosos presentes em favor da felicidade futura prometida, ou se entregar aos prazeres do pecado e abdicar da promessa divina de felicidade eterna. Deus lhe concede forças para, dia após dia, ser renovado para uma vida na graça.

Mas esse homem ainda odeia fazer a vontade de Deus, porque fazer essa vontade lhe causa sofrimento e não felicidade. Portanto, o homem pode deixar para trás esse conhecimento e essas forças que Deus lhe concede. As duas dádivas não são suficientes para segurar o homem junto a Deus. O pecado destrói a capacidade do homem de sentir (e, portanto, encarar) as coisas como realmente são, já que destroem sua capacidade de ver Deus como Ele realmente é, visto que sua essência e existência dão à toda a criação a sustentação e o significado próprios. O pecado conduz o homem a ver a si mesmo como a medida de toda as coisas.

Falta a esse homem felicidade, alegria, gozo, prazer, satisfação em Deus. Deus produz então no redimido o prazer de estar com Ele e de fazer sua vontade. Esse prazer não é criado por um ato diferenciado de Deus. Na realidade, ele é resultado da própria presença viva de Deus. Deus permite ao homem voltar a sentir mais e mais dEle mesmo. Foi, pelo contrário, o pecado que distanciou o homem de Deus e o impediu de senti o prazer de estar com ele. Deus então elimina essa força destruidora do pecado, e o homem sente o prazer de ser aquilo para o que foi criado. Passa a abominar o pecado na mesma medida em que passa a amar a Deus. Assim, para esse homem, obedecer a Deus é um prazer que o permite suportar todas as dores da vida presente, em um mundo que milita contra Deus a cada momento.

Essa satisfação em Deus não deve ser entendida em sentido hedonista. Não significa que Deus nos livrará do sofrimento, e tampouco se mede pelo sorriso no rosto. Deus, pelo contrário, nos guia a amar algo diferente do que anteriormente amávamos. Talvez a vida de um santo seja um vale de lágrimas e um martírio contínuo, e de fato aquele que mais se aproximar de Deus não pode deixar de sofrer por todos aqueles que, ao seu redor, não conhecem da graça ou dela se afastam (Romanos 9:2-5). Tanto mais o sofre quanto mais está próximo de Deus. Mas subjacente a toda essa dor está uma felicidade mais profunda no servir a Deus. É essa felicidade, em conjunto com o conhecimento do Evangelho e a graça das forças que livram da tentação, que sustentam o crente na fé e são a fonte de toda a perseverança. Somente com a contínua renovação dessas forças e dessa felicidade o cristão continua em seu caminho. Essa felicidade está que Deus ensina o homem a amar à única coisa que deve ser amada por si própria: a Ele mesmo.


ARGUMENTO E CONCLUSÃO

Embora os dons acima sejam apresentados consecutivamente (e a argumentação seja consecutiva), na realidade todos eles podem (e devem) ser entendidos como unidos, como um só dom da graça que Deus concede para a salvação eterna, ainda que em intensidades diversas. Assim, o sentido temporal é, às vezes, meramente argumentativo, à guisa de demonstrá-los em momentos distintos de modo a evidenciar a necessidade do que virá depois na demonstração. Em indivíduos distintos esses auxílios de Deus podem ser concedidos paulatinamente ou rapidamente; um exemplo disso é Cornélio (Atos 10), que tinha, pela graça de Deus, um conhecimento rudimentar e uma vida moral rudimentar ainda antes de ter um conhecimento pleno do Evangelho e uma vida no Espírito Santo.

Deus não concede tais dons a todos igualmente, assim como não os concede apenas aos eleitos. Ademais, todos esses dons incomparavelmente maiores quando o homem desfrutar da luz divina na eternidade, quando não enfrentará mais qualquer dor ou qualquer possibilidade de pecar.

Qualquer que seja nossa concepção de livre arbítrio, é preciso entender isso: na glória divina, os salvos não pecarão. Trata-se de um período infinito de tempo, e ainda assim não haverá nem um só pecado entre a incontável quantidade de gente que ali haverá. E, se acreditamos no livre arbítrio e que ele é parte da natureza humana, então haverá livre arbítrio ali também. Ali os indivíduos estarão de tal modo preenchidos pela graça divina que não terão qualquer motivo para pecar. Não desejarão fazê-lo. Odiarão fazê-lo. Amarão viver em santidade.

Mas ainda resta a pergunta sobre o hoje, que é um tanto diferente.

Nesse sentido, é possível operar com um conceito não-determinístico, mas maximamente probabilístico, e ainda assim manter a segurança da doutrina bíblica da predestinação. Não se trata de negar que Deus tenha o poder de controlar a vontade dos homens. Deus tem esse poder e jamais abdicou dele. Trata-se apenas de asseverar que esse não seja o seu meio de mostrar aos homens o seu amor. Ou seja: Deus não precisa determinar diretamente as ações humanas para predestinar os seus eleitos à glória.

O argumento se baseia em uma intuição fundamental (doravante IF): os indivíduos fazem sempre as escolhas que sabem ser as melhores, em sua capacidade limitada e subjetiva de perceber o que é melhor. A distinção entre duas opções se torna mais nítida à medida em que uma delas se torna crescentemente mais vantajosa, enquanto a outra crescentemente mais desvantajosa; quanto maior esse abismo, maior a probabilidade de que o indivíduo escolha a melhor opção. Isso nem sempre é fácil de observar, dada a relatividade e parcialidade das escolhas humanas. Nem sempre o que é realmente bom (ou majoritariamente considerado bom) é escolhido. Às vezes indivíduos fazem escolhas irracionais e imprevisíveis. Mas geralmente o fazem por ignorância (ou erro de cálculo), por fraqueza ou por motivo superior. Assim, um indivíduo com fome preferirá comer a não comer, a menos que não saiba encontrar comida (ignorância), não tenha como encontrá-la (fraqueza) ou deseje jejuar por algum motivo religioso ou místico (motivo superior), ou porque quer deixar a comida para seus filhos que também estão famintos (motivo superior), ou apenas porque deseja provar que o pode fazer (motivo superior). No fim das contas todos os indivíduos desejam a felicidade (deles, mas também talvez outros); a divergência está em como se chega nela e no que se quer sacrificar nessa direção.

Essa IF pode ser mantida ao lado do determinismo ou do libertarianismo metafísico (livre arbítrio). Se quisermos manter IF e livre arbítrio, temos que admitir que os indivíduos estão sempre munidos da possibilidade de contrariar tal intuição, escolhendo o pior. Mas até aqui não incluímos o nome de Deus nas possibilidades. Deus pode, primeiramente, conceder suficientemente conhecimento (vencendo a ignorância), forças (vencendo fraquezas) e satisfação nele (colocando-se como motivo superior a todas as outras coisas) aos seus eleitos para que permaneçam no caminho e perseverem até o fim. Assim, eles provavelmente escolheriam o melhor. Ainda restaria uma margem de erro dada a possibilidade de que o indivíduo escolha contra sua própria felicidade. Entretanto, Deus, conhecendo o futuro e todas as possibilidades de acontecimento, poderia antecipar tal escolha e modificar o curso das ações, para que um dos eleitos esteja em outra situação e faça outra escolha; apenas os não eleitos (seja os que tenham crido por um momento, seja os que nunca creram). Os molinistas e congruístas chamam a esse conhecimento de scientia media (conhecimento médio). Isso não significa que Deus não permita aos eleitos dizer "Não"; significa apenas que eles não darão um "Não" definitivo. Apenas os não eleitos dariam esse não definitivo. Note-se que Deus está predestinando independentemente das ações ou escolhas do indivíduos; a diferença está em como Deus providencialmente traz esses indivíduos até si.

O resultado da proposta acima é um esquema em que, ao menos teoricamente, sustenta-se livre arbítrio e predestinação. Deus escolhe o curso dos eventos e que indivíduos estarão com ele na glória, e ao mesmo tempo os indivíduos livremente escolhem que destino terão. A salvação dos indivíduos e todas as suas boas escolhas dependem de uma escolha anterior de Deus e da concessão de sua graça, sem o que eles não poderiam realizar nem um bem, e em especial o bem maior: amar a Deus. Ademais, embora os indivíduos saibam que tem fé verdadeira (o que no calvinismo nunca é epistemologicamente possível), eles não sabem se estarão entre os eleitos finais, e por isso devem constantemente implorar pela misericórdia de Deus, confiando unicamente nela para a própria salvação.


G. M. Brasilino

22 comentários:

  1. Meu querido, Deus te abençoe! Em primeiro lugar fico feliz em ver um jovem como você com tal interesse em escrever sobre os mais diversos temas de cunho teológico/doutrinário, não concordo com tudo que você escreveu, mas sou grato a Deus por ver pessoas dispostas a levar adiante discussões tão profundas sobre verdades que interferem o dia a dia do cristão que anela ir morar no céu, prometo dar mais atenção ao seu blog daqui para frente pois achei muito interessante, quero ressaltar apenas que concordo quando você fala que a maioria dos protestantes só conhece o arminianismo e o calvinismo (Já fui assim), mas discordo quando você diz que quem diz não ser nenhum dos dois é na verdade um seguidor de Armínio com pouco conhecimento, costumo dizer que sou seguidor dos escritos de Paulo com a MINHA interpretação, pois se isso for deixado de lado logo estou ferindo um principio do meu credo que é crer que as escrituras por inteiro são inspiradas por Deus (antes que apareça alguém que diga que Paulo era apenas um homem) portanto tanto Jacó Armínio como João Calvino, apenas interpretaram os textos sagrados como acharam conveniente, levando em consideração que Armínio iria na verdade defender as teses de Calvino quando começou a estuda-las e ai começou a discordar delas, enfim interpretações sempre vagas e muitas vezes baseando tudo em textos isolados, com relação ao restante do seu post apesar de você dizer ser descritivo, vejo mais como argumentativo de quem logo no inicio expôs no que acredita, e diga-se de passagem parabéns pois achei muito bom os argumentos "descritivos" rsrs, enfim vai nessa tua força! essa é uma ótima porta para colocarmos em discussão temas importantes dando a "cara" para o diálogo parabéns mais uma vez e vou ler os posts antigos!!!

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    1. "E, de fato, quando algum protestante diz que não é nenhum dos dois, provavelmente é um arminiano menos instruído." - G. Montenegro

      "mas discordo quando você diz que quem diz não ser nenhum dos dois é na verdade um seguidor de Armínio com pouco conhecimento" - Eber Lins

      Perceba a diferença. Se você se refere a essa passagem, o que Montenegro diz é: "provavelmente é um arminiano menos instruído."
      A diferença tá em: "provavelmente" e "é na verdade..."

      Eu digo que provavelmente é um Pelagiano menos instruído, bom se fosse pelo menos arminiano, na maioria das vezes são pelagianos.

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    2. Sr. Eber, grato pelas palavras. Creio que o Sr. Yan já tenha solvido a dificuldade sobre minha declaração.

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    3. Sr. Yan, embora eu já tenha tido essa opinião antes, de que grande parte dos "arminianos" sem instrução são pelagianos, na realidade penso hoje ser esse um julgamento talvez muito rápido.

      Grande parte desses "cripto-pelagianos" de fato, sim, explicam a salvação em termos pelagianos; mas quando colocados contra a parede, admitem a necessidade da graça precedente (nem todos!). Eles mantêm dois discursos incoerentes sem perceber a incoerência, por falta de reflexão acerca do tema.

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  2. "As que caíram sobre as pedras são os que recebem a palavra com alegria quando a ouvem, mas não têm raiz. Crêem durante algum tempo, mas desistem na hora da provação."
    Lucas 8:13

    Nem todas as vezes que a bíblia traz a expressão creu, ou crer, ou até mesmo fé, ela está se referindo a verdadeira Fé salvífica, a Fé que leva a salvação. Visto que, nos é claro que a salvação vem pela Fé somente, e está Fé gera em nós santidade para a vida eterna na glória.

    "O justo viverá pela fé" Romanos 1:17.
    "...sem santidade ninguém verá o Senhor." Hebreus 12:14

    Além do texto de Lucas 8, Tiago também fala que os demônios creem e temem, nem por isso eles "estavam" na graça por um tempo e depois caíram dela. Muito pelo contrário, são vasos preparados para destruição.

    "Até mesmo os demônios crêem — e tremem!" Tiago 2:19

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    1. Apenas a alguns Deus concede fé para ir até o fim, uma fé que produz muitos frutos. Nem toda fé leva à salvação. Sem dúvida!

      Mas o problema se coloca da seguinte forma: o sujeito que se desvia da verdade em Lucas 8:13 CREU VERDADEIRAMENTE. Não há fé fingida aí. Não há como dizer que ele não creu, e se creu, não há como dizer que ele agiu, durante aquele período, de modo diferente de um eleito.

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    2. Perceba o texto que citei:

      "Até mesmo os demônios crêem — e tremem!" Tiago 2:19

      A fé dos demônios segundo esse texto é:

      1. Verdadeira. Eles creem VERDADEIRAMENTE!
      2. Ela faz com que os demônios ajam igual a um eleito. "Tremem". Fé é também conhecer, por isso aqueles que creem tremem.

      Estou dizendo que a Fé de Lucas 8:13 não é a mesma da salvação em nenhum momento. Tratasse de uma mesma palavra com significados distintos.

      A fé que leva a salvação ela não só é perseverante como também é diferente de qualquer outra aplicação da palavra fé.

      Não há base bíblica para dizer que Deus concedeu fé (a mesma dos eleitos) a alguns para durar apenas algum tempo.

      Então, É verdadeira, se manifesta externamente, mas não é, nem de perto, a mesma coisa.

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    3. A fé dos eleitos faz com que eles AMEM, não simplesmente que "tremam". Os demônios se aterrorizam ante à luz de Deus, mas não amam a essa luz, como um eleito faz. O próprio texto de Tiago versa exatamente sobre essa diferença, a fé que opera em amor e a que não opera.

      Mas o Sr. está separando coisas que na Escrituras JAMAIS são separadas. A Bíblia nunca, em nenhum lugar, fala sobre duas formas, dois modos de crer. É uma diferença de intensidade, não de qualidade. Não são dois modos de crer, mas duas intensidades com a qual se crê. Mesmo crendo verdadeiramente, amou mais ao mundo, e por isso é condenado.

      O que diz a Escritura? Se crer COM O CORAÇÃO, será salvo (Romanos 10:9). Se o sujeito de Lucas 8:13 creu com o coração, ele foi, SIM, salvo, e não há modo algum de dizer, pelas Escrituras, que a fé desse sujeito não foi dada por Deus.

      Demônios NÃO creem com o coração. Sua fé não opera em amor (Gálatas 5:6), antes é meramente o conhecimento do ser a quem eles odeiam. Não é a fé salvífica porque não é compromissiva.

      E como a salvação não é um objeto, mas um acontecimento, esse sujeito nunca, jamais perderá sua salvação. OUTRA questão é saber se esse sujeito chegará à salvação FINAL, à qual nenhum crente chegou ainda. Não chegará! Pelo contário, seu estado é pior do que o primeiro (2 Pedro 2:20).

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    4. Portanto, trata-se da mesma palavra com o mesmo significado. Crer é crer, não há outro significado para isso.

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  3. Peço desculpas por não ter observado o "provavelmente", não quis ofender ninguém, infelizmente também não fui bem interpretado, porém discordo de muita coisa pois sempre que encontro alguma interpretação referente ao tema predestinação que seja próxima ao que eu acredito me deparo com divergências que automaticamente me afastam de tal interpretação, não consigo crer em um Deus que "escolhe a uns e aborrece a outros" visto que não existe sentido um sacrifício tão grande se o homem não pudesse entender aceitar isso como verdade em sua vida, e assim entregar a Deus o governo de sua vida, Deus não seria injusto se "escolhesse" porque a justiça é Dele, porém aniquilaria o amor incondicional que perdoa o mais vil pecador, Quanto a ser Pelagiano, acho que pelo menos eu posso garantir que não sou, pois eu necessito da graça divina e isso é uma coisa que Pelágio da Bretanha dizia que ela "a graça" não era necessária pois o homem poderia se salvar por si só quando assim desejar, porém não concordo com a interpretação de "graça" em nenhum desses casos pois não aceito que ela seja irresistível ou algo do tipo, mas, necessária para compreendermos a dimensão do sacrifício de Cristo e assim entendo que a igreja como corpo, organismo vivo, noiva do cordeiro essa sim é predestinada, não pessoas, pois a essas Deus deu o direito de escolher, pois há dois caminhos e apenas um nome no qual somos salvos (JESUS), é crer para ter uma vida eterna e não viver em uma "matrix" onde o "arquiteto" já determinou tudo.

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    1. 27 Todas as coisas me foram entregues por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar.
      (Mateus 11:27)

      37 Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora.
      44 Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.
      (João 6:37,44)

      48 E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se, e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna.
      (Atos 13:48)

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  4. Muito interessante o texto. O fato de não entendermos plenamente o universo do livre arbítrio e da predestinação não deve gerar em nós comodismo. Devemos estudar e investigar sempre a Palavra de Deus, sabendo que nunca chegaremos a uma fórmula pronta. Sua sabedoria é profunda e rica, sua graça é multiforme. Muito maior do que possamos compreender. Parabéns pela tentativa.

    Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor.

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  5. Porque tanta dificuldade em simplesmente entender, ou aceitar, que Cristo morreu por todos, alguém pregou sobre isso e alguém DECIDIU crer sobre isso?.
    Porque Calvino errou em sua análise e temos nós que errar também?.

    Há um viés ótimo, e talvez mais interessante que ser de Arminio, ou de Calvino, é ser de CRISTO, meu irmão. E Paulo já nos advertia, quando pegou grupos discutindo ser Paulino ou Apolino (Apolo). Ele falou: - Um planta, outro regra, mas, DEUS é quem dá o crescimento.

    Calvino, errou e feio, em alguns de seus pontos.
    Armínio, também.

    Mas, Cristo?. A Bíblia?. Seguem inerrantes e como tais, são claros em afirmar, que a salvação vem pela fé, e esta, vem pelo OUVIR e pelo OUVIR a PALAVRA DE DEUS (sendo pregada). Paulo confirma que esta fé é dom de Deus, para que ninguém se glorie, entretanto, o ato de decidir ouvir é puramente humano.

    EU decidi, ler seu texto.
    Eu também decidi, responder.
    Deus.... ELE JÁ SABIA, que eu responderia. Mas, a DECISÃO, foi minha.
    Natan Serafin (facebook)

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    1. O Sr. não leu meu texto com atenção. Notou como o Sr. não citou um texto sequer da Bíblia, e mesmo assim se julga "de Cristo"? Atribuiu erros a Calvino e Armínio, atribuiu inerrância à Bíblia, mas não cita nem Calvino, nem Armínio, nem a Bíblia. Diz que é de Cristo, mas não cita as palavras de Cristo. Cita apenas a própria opinião. Interessante, não?

      Eu sou de Cristo, e cito a Cristo:

      "Todas as coisas me foram entregues por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar."
      (Mateus 11:27)

      37 Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora.
      44 Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.
      (João 6:37,44)

      Ora, se Cristo me diz que eu fui a ele não por decisão minha, mas porque o Pai me levou a ele, como posso eu duvidar?

      É claro que a minha decisão é importante, e no texto eu não neguei a minha decisão (por isso digo que o Sr. não prestou atenção ao texto). Mas ela não é fundamental. Fundamental é o plano de Deus. Minha decisão é apenas um elemento desse plano criado por ele.

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    3. Se não quer buscar sabedoria em outro homem, pare de escrever neste blog.

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    1. Camarada, vá aprender português antes de achar que é capaz de ensinar qualquer coisa.

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  7. a pior situação do ignorante é não se dá o direito de ouvir um analfabeto, porque as coisas de Deus não se ensina nas Universidade, eis a razão pela qual você não entende, como se harmonizam a predestinação e o livre arbítrio,
    Porque são coisas do espirito, e dessas coisas somente Deus dá o entendimento a quem ele quer, não adianta você buscar como você está buscando, porque assim você vai conhecer o evangelho somente em palavras sem o poder do espirito Santo, isso o homem não percebe, e se passa por mestre, não sabendo que estão trazendo pra si maior juízo, eu tenho muito para ensinar a qualquer um, inclusive você.

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    1. De jeito nenhum. O pior ignorante é o que acha que pode ensinar aos que estudam.

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