01/03/13

Pagão não paga nada


 Certa vez ouvi uma explicação bem absurda sobre a origem da palavra “pagão”. Segundo um professor de História, a designação “pagão” teria surgido a partir de uma prática de “pagar” aos deuses por uma determinada interveção.
Na realidade, a palavra portuguesa “pagão” vem do adjetivo latino paganus (que passou ao italiano e ao espanhol como pagano), referente ao substantivo pagus. Esta expressão, pagus, designa o interior, o campo, a comunidade rural/rústica. O paganus é aquele que vive e mora no interior, no campo, na região fora das cidades.
Quando o cristianismo se disseminou dentro do Império Romano, seu avanço mais rápido foi nas cidades, onde o número de pessoas era muito maior. Os campos exigiam mais esforço para serem alcançados, dadas as grandes distâncias. Nesse sentido, mudanças nas cidades demoravam para chegar ao campo. Assim, durante muito tempo o politeísmo de origem helenística prevaleceu no interior, só sendo bem depois suplantado pelo cristianismo; continuaram adorando aos deuses antigos, de modo a associar-se a palavra à pessoa que vive no interior à religião antiga do Império, até o momento em que ela perdeu seu significado original.

(G. Montenegro)

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