19/05/12

Constantino e o Sábado


 Circula um mito, muito útil a certas seitas, de que o dia de guarda, o Sábado, foi transferido para o Domingo como ordem do imperador Constantino. Esse é mais um dos “mitos de Constantino”. Esse personagem histórico se tornou um tipo de bode expiatório, alguém a quem culpar pelas mazelas da cristandade. Não tratam Constantino como um ser humano, mas como um tipo de demônio que destruiu a Igreja e inseriu nela todo tipo de paganismo.

Muito preocupa haver seitas que usem essas falsificações históricas para defenderem seus dogmas, mas preocupa mais ainda a ignorância dos cristãos a esse respeito. Parece que, por Constantino ter vivido há tanto tempo atrás, ele não foi uma pessoa real, e por isso pode ser acusado de qualquer coisa, sem a mínima prova. Isso sim é justiça!

Ocorre que essas seitas tem mania de perseguição, e só são capazes de sustentar suas heresias através de fraudes históricas.

Mas, na verdade, é fácil provar que não foi Constantino quem mudou o dia de guarda do Sábado para o Domingo. Os cristãos já guardavam o Domingo antes de Constantino nascer. Qualquer um que ler os escritos dos pais da igreja que viveram antes de Constantino sabe disso. Os textos abaixo citados comprovam essa prática:

“Aqueles que andaram nas práticas antigas encontraram uma novidade de esperança, não mais observando o Sábado
(Inácio de Antioquia, Epístola aos Magnésios)

“Finalmente, Ele lhes diz: “Eu não suporto suas luas novas e sábados”. Vês o que Ele quer dizer: não são os sábados presentes que são aceitáveis a mim, mas aquele que eu fiz: naquele Sábado, depois de ter colocado tudo em repouso, eu criarei o começo de um oitavo dia, o qual é o começo do novo mundo. É por isso que nós gastamos o oitavo dia em celebração, o dia em que Jesus ressuscitou dos mortos e, após aparecer, ascendeu aos céus.”
(Epístola de Barnabé 15:8-9)

“...devotamos o Domingo à alegria, por um motivo muito diferente que aquele da religião do sol...”
(Tertuliano, Apologia, cap. 16)

“...nós, para os quais o sábado é estranho...”
(Tertuliano, Sobre Idolatria, cap. 14)

“E no dia chamado Domingo, todos os que vivem em cidades ou no campo se reúnem em um lugar, e a s memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas são lidos, tanto quanto o tempo permite; então, quando o leitor cessa, o presidente verbalmente instrui, e exorta à imitação dessas boas coisas (...) Mas Domingo é o dia em que todos temos uma assembleia comum, porque foi no primeiro dia em que Deus, tendo trazido mudança na escuridão e na matéria, fez o mundo; e Jesus Cristo, nosso Salvador, no mesmo dia ressuscitou dos mortos”
(Justino, Primeira Apologia, cap. 67)

“A assembleia comum de repouso do Domingo
(Didascalia Apostolorum, cap. 15)

“Pois nem mesmo nos Domingos, em que nos alegramos e temos bom ânimo, é permitido a alguém falar alguma palavra leviana ou contrária à nossa religião”
(Didascalia Apostolorum, cap. 21)


“Pois como o oitavo dia, isto é, o primeiro dia após o Sábado, deveria ser o dia em que o Senhor ressuscitou, e deveria nos dar vida, e dar-nos a circuncisão do espírito, o oitavo dia, isto é, o dia após o sábado, e Dia do Senhor, veio antes em figura; a qual figura cessou quando a verdade veio, e a circuncisão espiritual nos foi dada”
(Cipriano de Cartago, Epístola 58:4)


Constantino apenas tornou o descanso do Domingo obrigatório para todos os súditos do seu império, incluindo-se, portanto, aqueles pagãos que não tinham dia de guarda. Não se dirigiu especificamente aos cristãos.


G. Montenegro

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