29/02/12

Eventos que precedem a vinda de Jesus


Nos meios eclesiásticos dominados pelo pretribulacionismo, é comum que se observe uma certa paranoia que obsta presumir qualquer acontecimento antecedente à vinda de Jesus. O que me motivou a escrever essa pequena postagem foi uma pergunta sobre a possibilidade de usar uma profecia (não uma profecia contida nas Escrituras, mas uma anunciada por meio do dom de profecia) sobre um dado evento como fundamento para a crença de que Jesus só viria após esse evento. A resposta só pode ser que sim, se a profecia é verdadeira. Por isso decidi apresentar uma pequena lista, não exaustiva (e que não está na ordem escatológica), de acontecimentos que, do ponto de vista dos apóstolos e da Igreja Primitiva, deveriam anteceder a vinda de Jesus:

I. A vinda do Espírito Santo (João 16:7; Atos 1:5,8).
II. O testemunho dos apóstolos perante as nações, assim como a associada perseguição (Mateus 10:17,18).
III. A morte de Pedro (2 Pedro 1:14; João 21:18), Paulo (2 Timóteo 4:6), e de diversos outros apóstolos (João 16:2).
IV. Surgimento de falsos profetas na Igreja de Éfeso (Atos 20:29,30).
V. Perseguição de 10 dias sobre os crentes de Esmirna (Apocalipse 2:10).
VI. A destruição de Jerusalém (Lucas 21:23,24).
VII. A apostasia (2 Tessalonicenses 2:3; 1 Timóteo 4:1; 2 Timóteo 4:3,4).
VIII. Uma grande tribulação (θλῖψις μεγάλη), a maior de todas, que afeta a todos, inclusive os escolhidos (Mateus 24:21).
IX. A operação do erro e a manifestação e parusia do anticristo, o qual fará guerra aos santos (2 Tessalonicenses 2:1-12; Apocalipse 13:7).
X. Tudo o que antecede Lucas 21:36.
XI. A punição dos ímpios antecede a recompensa dos justos (Mateus 13:30; cf. 2 Tessalonicenses 1:6-10; Apocalipse 19:ff; 20:1-4), embora ambos os eventos sejam englobados pela vinda de Jesus.

Boa parte desses acontecimentos já se cumpriu; os tais não servem para provar que ainda há algo antecedendo a vinda de Jesus. Mas servem para provar que não há perigo em crer (com as Escrituras) que há eventos previstos antecedendo a Segunda Vinda. Ao mesmo tempo que os apóstolos proclamavam aos convertidos que Cristo retornaria em breve, também lhes informavam das profecias sobre suas mortes, ou sobre a destruição de Jerusalém. Esses textos demonstram que não há contradição entre crer em uma iminente volta de Cristo e crer que algo deve lhe anteceder.

A destruição de Jerusalém, por exemplo, ocorreu no ano 70 d.C., quando grande parte dos apóstolos já havia sofrido o martírio, incluindo Pedro e Paulo. Se essa destruição estava anunciada, os crentes da época poderiam ter certeza que Jesus não retornaria antes dessa destruição, e isso não lhes servia de empecilho na vida espiritual, porque amavam ao Senhor mais que aos seus pecados. O argumento (por vezes suscitado) de que a crença em uma vinda não iminente de Cristo promoveria o pecado só pode ser sustentado consistentemente pelo mau servo (Lucas 12:45,46), que não ama de fato ao seu Senhor, mas apenas a si mesmo.

Mas nem todos os acontecimentos listados já se cumpriram. A manifestação do Anticristo, por exemplo, ainda não se deu, a qual necessariamente precede a vinda de Cristo (a qual será sua destruição).


G. Montenegro

Nenhum comentário:

Postar um comentário