12 de outubro de 2011

O que Jesus não era - Parte II

(2) Não um pacifista

Em primeiro lugar, é necessário ter um significado preciso do que é um pacifista. Pacifista não é o mesmo que pacífico. Para ser pacifista não é suficiente amar a paz. Pacifista é quem se opõe a toda forma de violência (individual ou coletiva). Não há, em seu ver, forma justificada de violência. Toda forma é injustificável.

O real problema do pacifista é que ele não pode fazer absolutamente nada para que haja paz. O pacifista não é capaz de lutar por aquilo em que acredita. A violência não diminui conforme cresça o número de pacifistas; ela aumenta, conquanto mais permitida e menos resistida. O pacifismo só está certo quando é desnecessário, quando todos já estão predispostos à paz.

O Evangelho de Jesus Cristo é, sem dúvida, o “Evangelho da Paz” (Efésios 6:15). Jesus ensinou que seus discípulos não devem revidar a violência, mas oferecer a outra face: “não resistais ao mal” (Mateus 5:39), μὴ ἀντιστῆναι τῷ πονηρῷ, o que literalmente seria como “não vos opunhais ao [próprio] sofrimento”, em resposta ao talião, que é repudiado por Jesus.

O ensinamento do Evangelho é de que devemos retribuir o mal com o bem (Romanos 12:21). Devemos perdoar e amar nossos inimigos, a despeito de sua obstinação e contumácia. Jesus é descrito, na interpretação cristã de Isaías 9:6, como “Príncipe da Paz”. Seu reino é de paz (Romanos 14:17). Na consumação desse Reino, não haverão mais guerras: “nem aprenderão mais a guerrear” (Isaías 2:4 = Miquéias 4:3).

Isto dito, é necessário distinguir entre a doutrina cristã e a ideologia pacifista. Não se trata de uma oposição entre “paz absoluta” e “violência absoluta”, mesmo que os pacifistas assim por vezes queiram tratar. Existe uma tendência natural, embora injusta, em distorcer (misrepresentation) uma ideia contrária na defesa da própria, a chamada “falácia do espantalho”.

Primeiramente, é necessário ter em mente o real significado de “Não matarás” (Marcos 10:19). Tanto na língua hebreia (na qual foi escrito o Antigo Testamento) quanto na grega (na qual foi escrito o Novo Testamento) ocorre a distinção entre matar (ἀναιρέω) e assassinar (φονεύω). Matar é um gênero: trazer morte a outrem, findar-lhe a vida. Assassinar, por sua vez, é o genuíno pecado de sangue: matar porque quer ver morto. O mandamento bíblico “Não matarás”, traduzido literalmente (seja no antigo testamento, seja no novo), seria “Não assassinarás” (em inglês já se adota a tradução correta, “You shall not murder”).

A palavra “matar” aplica-se a ambas as situações: morte justficada e não justificada; “assasinar”, apenas à injustificada. Muitos pacifistas, como Tolstói, ignorando tal distinção (ou fingindo a ignorar), distorceram a mensagem bíblica.

Como diz o pregador: “[Há] tempo de matar e tempo de curar” (Eclesiastes 3:3a). Essa é, de fato, a função do magistrado: trazer espada sobre os injustos (Romanos 13:3,4).

Ademais, somos exortados a salvar aqueles que estão sob jugo do opressor. Diz a Escritura: Livrai o pobre e o necessitado; tirai-os das mãos dos ímpios(Salmos 82:4). Devemos, assim, estar prontos a lutar contra a injustiça, usando o meio necessário. Indubitavelmente a violência física é o meio último, um mal só necessário em último caso. Não resistir a um mal contra si é perdoar; não resistir a um mal contra outrem é permitir o mal.


Ver também João 2:14,15.

Então não, Jesus não era um pacifista.


G. Montenegro.

1 comentários:

  1. NÃO SE PODE MODIFICAR A BIBLIA POR QUE UM POVO SEM FÉ E COM MEDO DE PERDER SEUS MILHÓES NÃO ACEITA A NOVA ALIANÇA.

    JESUS É CLARO A RESPEITO
    MT26,52...

    É POR ISSO QUE VIRA A APOSTASIA

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