(1) Não um revolucionário
Não é incomum ver Jesus sendo tratado (especialmente por
pós-cristãos) como um tipo de “revolucionário” (e como se isso
fosse algo de bom). A confusão se deve a uma compreensão ingênua,
superficial, naïve, do que seja um revolucionário. Pensa-se
num revolucionário como alguém que "revoluciona", que
causa uma mudança profunda na realidade (intelectual, política,
etc). Entretanto, quando dizemos “um revolucionário”,
não se trata disso. O motivo mais evidente é o de que nem todo
revolucionário de fato causa essa mudança.
Mas também não podemos descrever o revolucionário sob o aspecto
subjetivo, como aquele que deseja de fato essa mudança. Esse
aspecto é ininvestigável. É óbvio que nem todos os
revolucionários desejavam mudança na realidade; muitos desejavam
apenas uma posição de poder mais favorável (a despeito da miséria
alheia), embora empregassem uma retórica .
Na acepçãoorrente, revolucionário é aquele que está engajado
(por qualquer motivo que seja, altruísta ou egoísta) na mudança da
realidade pela via política
(seja a política visível, hard power,
seja os meios subreptícios). Essa definição se aplica a
todos os genuínos revolucionários (o que não significa dizer
“revolucionários sinceros”), como Lênin, Trótski,
Stalin, Mao, Guevarra et caterva. Mas tal definição
definitivamente não se aplica a Jesus.
Não se enganem: A proclamação de Jesus é ela mesma eminentemente
política. Mas tal pregação é radicalmente contrária ao discurso
revolucionário. Jesus proclama em todo tempo a vinda do Reino de
Deus. É difícil ler os Evangelhos (especialmente os sinóticos) sem
se deparar com parábolas de Jesus sobre a iminência do Reino de
Deus, Reino de justiça e paz. Mas adverte: “Meu
reino não é deste mundo” (João 18:36). Nada há
que se possa fazer para “trazer” ou “criar” este reino,
“imanentizar o eschaton” na linguagem voegeliniana. Todo
esforço possível é para entrar no reino (herdá-lo), não
para torná-lo atual.
Assim, Jesus ou seus discípulos não estavam engajados em uma
mudança da realidade pela via política. De fato, muita gente na
época de Jesus estava. Diversos movimentos messiânicos e
quase messiânicos, proféticos e quase proféticos, estavam
envolvidos em uma revolta dos judeus contra o Império Romano, para
que fosse garantida a unidade e independência do povo judeu (todos,
evidentemente, falharam). Eram eles revolucionários genuínos.
Um conceito chave no atual discurso revolucionário é o de “justiça
social”, que nada mais seria que uma forma de redistribuição das
riquezas segundo o princípio da “igualdade” (o conceito
revolucionário de igualdade é assaz distinto do conceito cristão,
mas não é momento de discutir o tema). De fato os discípulos de
Jesus são exortados à justiça e ao amor
aos pobres, de modo que o cristão que não ajuda ao seu próximo na
miséria peca.
Mas o pressuposto fundamental dessa justiça e amor é uma
transformação interior em Deus, e não uma ordem de poder
político criadora de justiça. Não se trata de uma justiça criada
pela força ou pela violência, mas pelo Espírito Santo. O discurso
revolucionário prega a expropriação (que é uma forma de roubo) e
a violência “justificada”. Não há nada na pregação de Jesus
que se aproxime, mesmo remotamente, disso. Não pode existir uma
“sociedade boa” sem homens bons em si. E a história confirma que
todos os revolucionários levaram ao terror e ao extermínio das
massas.
Então não, Jesus não era um revolucionário.
G. Montenegro.
G. Montenegro.
Gyordano não sabia que vc tinha um blog. Deus te abençoe, muito bom!
ResponderExcluirIngra