20/08/09

O "em si" e aparência

uniTrago aqui a repetição de alguns textos escritos por mim em uma discussão "Qual o lugar da fé na ciência?" na plataforma da UFPB Virtual. Como só é possível acessar Plataforma Moodle àqueles que possuem cadastro, publico aqui os textos, com algumas modificações. Como eu não consideirei todo o material pertinente ao blog, somente algumas partes do meu texto serão reproduzidas aqui. Enquanto o debate não terminar no site, esta postagem poderá sofrer alterações.

Uma das grandes preocupações da primeira fase da filosofia moderna diz respeito à fundamentação do conhecimento. O "cogito ergo sum" cartesiano serviu como guia quase profético do rumo que a filosofia tomaria.

Como alcançamos o conhecimento verdadeiro? Como descobrimos o "em si" das coisas? Que exista um conhecimento verdadeiro, do ponto de vista lógico isso é um fato. A opinião pós-moderna de que não existe verdade, que ela é uma construção do discurso, desfaz-se do ponto de vista lógico, considerando que a própria opinião pós-moderna É um discurso. Se não existe o verdadeiro, então não é verdadeiro dizer que não existe. Porém, tudo o que esse raciocínio permite é descobrir que existe uma verdade. Não dá qualquer meio de encontrá-la.

Tanto ciência quanto religião preocupam-se com essa questão, mas de modos distintos. Na verdade, a religião tem uma preocupação muito mais grave que a da ciência: enquanto a ciência examina meramente os fenômenos, aquilo que os sentidos experimentam (ainda que tenha que recorrer a extrapolações às quais os sentidos não alcançam, como acontece na moderna teoria quântica), buscando dar-lhes ordenação, a religião diz respeito a temas que superam a experiência individual. Diz respeito ao absoluto, àquilo que transcende os sentidos e a investigação. É por isso que, diferente da ciência, na religião a revelação tenha um papel tão fundamental. Na ciência, o indivíduo submete a experiência investigativa a uma ordenação consensual; na religião, é a consensualidade que se submete à experiência religiosa (epifânica, teofânica, extática, etc).

Mas a questão não desaparece: como encontrar a verdade por trás dos sentidos? Muitas religiões, como o budismo, tentam resolver esse problema pela via negativa: pela negação do ser. Se o ser não existe, o questionamente acerca dele não é um questionamento verdadeiro, mas uma ilusão. Por trás dos sentidos não há nada. Perceba-se, porém, que negar a questão não é respondê-la. Como raios descobriu-se que por trás dos sentidos não há nada? Como raios os pós-modernos descobriram que tudo é relativo?

A opinião de que os temas religiosos são contrários à razão não é nada além de opinião. Os temas religiosos EXCEDEM o científico, mas essencialmente não a contradizem razão. Cumpre distinguir também entre razão e ciência. A razão é meramente um instrumento; ela não dá nenhum conhecimento, senão o instrumental, ou seja, o conhecimento de si mesma. A ciência é uma construção feita por meio deste instrumento, mas não se confunde com ele. Isto é, a ciência é um objeto da razão, mas não é o único. Ao contrário do que se opina, também a religião é objeto da razão. Razão não lida com verdades estabelecidas, mas com crenças, sejam crenças religiosas, crenças científicas ou quaisquer outras. Seja qual for o tema racional, sempre haverão axiomas e postulados subjacentes inquestionáveis. Mesmo se for admitido que axiomas e postulados são inquestionáveis, se estará criando um outro postulado questionável, o de que "postulados são questionáveis".

Um exemplo disso, muito conhecido, mas também muito ignorado quanto a este tema, é o desenvolvimento da Teologia Cristã. A precisão com que as conclusões dos Concílios da Igreja foram estabelecidas não é superada por qualquer outro ramo do conhecimento. Diante de novas questões, os debates dos Concílios visavam a uma resposta que fosse LOGICAMENTE compatível com os axiomas já estabelecidos e as respostas já dadas a questões anteriores (exemplo: as decisões do Concílio de Constantinopla deveriam ser compatíveis com as do Concílio de Nicéia, que lhe antecedeu); a Matemática faz a mesma coisa. É natural que hajam, assim como em qualquer ramo do conhecimento, axiomas e postulados inquestionáveis. A revelação divina seria um desses axiomas inquestionáveis; do mesmo modo, nas ciências físicas está subjacente o axioma inquestionável de que a experiência dos sentidos corresponde, em algum grau último, à realidade exterior. Do mesmo modo que os Concílios são exemplos de como a religião deduz conclusões lógicas a partir de premissas dadas, a Reforma Protestante é um exemplo de como a religião também é capaz de encontrar contradições internas nos pressupostos, bem como de renovar dos axiomas e postulados. O instrumento da razão é meramente um pressuposto da religião.

O fato é que escapa ao alcance da razão o questionamento a respeito dos fundamentos últimos da verdade. Se existe uma prova de que algo é verdadeiro, essa prova pode estar ou não estar submetida a algum critério. Se está submetida a um critério, então este critério deve estar submetido a outro, e assim sucessivamente, ad infinitum. Mas se não está submetida a um critério, então é uma escolha arbitrária. Qualquer conclusão é sempre uma conclusão feita usando critérios já dados; o questionamento dos critérios sempre usa outros critérios. Mesmo as conclusões que os leitores estão neste momento fazendo a respeito deste texto são conclusões feitas usando os critérios inquestionáveis (embora quem lê não perceba imediatamente estar usando tais critérios). O fundamento último é inquestionável, portanto, não porque seja uma verdade imposta, mas porque é essa a única forma que a razão tem de tratar o tema, isto é, a partir de verdades inquestionáveis. O DISCURSO pós-moderno de "verdades frágeis" é meramente um falatório que se acovarda diante de dois fatos: o primeiro, de que a razão humana é formalmente completa, mas essencialmente não dispõe de coisa alguma, senão de crenças; o segundo, de que ela não é capaz de investigar fundamentos últimos sem, ao mesmo tempo, usá-los. Não são verdades frágeis aquelas que fazem com que nossos computadores e nossas cirurgias tenham sucesso. Mesmo o discurso pós-moderno usa verdades inquestionáveis; apenas não admite isso.
Uma das grandes preocupações da primeira fase da filosofia moderna diz respeito à fundamentação do conhecimento. O "cogito ergo sum" cartesiano serviu como guia quase profético do rumo que a filosofia tomaria.

Como alcançamos o conhecimento verdadeiro? Como descobrimos o "em si" das coisas? Que exista um conhecimento verdadeiro, do ponto de vista lógico isso é um fato. A opinião pós-moderna de que não existe verdade, que ela é uma construção do discurso, desfaz-se do ponto de vista lógico, considerando que a própria opinião pós-moderna É um discurso. Se não existe o verdadeiro, então não é verdadeiro dizer que não existe. Porém, tudo o que esse raciocínio permite é descobrir que existe uma verdade. Não dá qualquer meio de encontrá-la.

Tanto ciência quanto religião preocupam-se com essa questão, mas de modos distintos. Na verdade, a religião tem uma preocupação muito mais grave que a da ciência: enquanto a ciência examina meramente os fenômenos, aquilo que os sentidos experimentam (ainda que tenha que recorrer a extrapolações às quais os sentidos não alcançam, como acontece na moderna teoria quântica), buscando dar-lhes ordenação, a religião diz respeito a temas que superam a experiência individual. Diz respeito ao absoluto, àquilo que transcende os sentidos e a investigação. É por isso que, diferente da ciência, na religião a revelação tenha um papel tão fundamental. Na ciência, o indivíduo submete a experiência investigativa a uma ordenação consensual; na religião, é a consensualidade que se submete à experiência religiosa (epifânica, teofânica, extática, etc).

Mas a questão não desaparece: como encontrar a verdade por trás dos sentidos? Muitas religiões, como o budismo, tentam resolver esse problema pela via negativa: pela negação do ser. Se o ser não existe, o questionamente acerca dele não é um questionamento verdadeiro, mas uma ilusão. Por trás dos sentidos não há nada. Perceba-se, porém, que negar a questão não é respondê-la. Como raios descobriu-se que por trás dos sentidos não há nada? Como raios os pós-modernos descobriram que tudo é relativo?

A opinião de que os temas religiosos são contrários à razão não é nada além de opinião. Os temas religiosos EXCEDEM o científico, mas essencialmente não a contradizem razão. Cumpre distinguir também entre razão e ciência. A razão é meramente um instrumento; ela não dá nenhum conhecimento, senão o instrumental, ou seja, o conhecimento de si mesma. A ciência é uma construção feita por meio deste instrumento, mas não se confunde com ele. Isto é, a ciência é um objeto da razão, mas não é o único. Ao contrário do que se opina, também a religião é objeto da razão. Razão não lida com verdades estabelecidas, mas com crenças, sejam crenças religiosas, crenças científicas ou quaisquer outras. Seja qual for o tema racional, sempre haverão axiomas e postulados subjacentes inquestionáveis. Mesmo se for admitido que axiomas e postulados são inquestionáveis, se estará criando um outro postulado inquestionável, o de que "postulados são questionáveis".

Um exemplo disso, muito conhecido, mas também muito ignorado quanto a este tema, é o desenvolvimento da Teologia Cristã. A precisão com que as conclusões dos Concílios da Igreja foram estabelecidas não é superada por qualquer outro ramo do conhecimento. Diante de novas questões, os debates dos Concílios visavam a uma resposta que fosse LOGICAMENTE compatível com os axiomas já estabelecidos e as respostas já dadas a questões anteriores (exemplo: as decisões do Concílio de Constantinopla deveriam ser compatíveis com as do Concílio de Nicéia, que lhe antecedeu); a Matemática faz a mesma coisa. É natural que hajam, assim como em qualquer ramo do conhecimento, axiomas e postulados inquestionáveis. A revelação divina seria um desses axiomas inquestionáveis; do mesmo modo, nas ciências físicas está subjacente o axioma inquestionável de que a experiência dos sentidos corresponde, em algum grau último, à realidade exterior. Do mesmo modo que os Concílios são exemplos de como a religião deduz conclusões lógicas a partir de premissas dadas, a Reforma Protestante é um exemplo de como a religião também é capaz de encontrar contradições internas nos pressupostos, bem como de renovar dos axiomas e postulados. O instrumento da razão é meramente um pressuposto da religião.

O fato é que escapa ao alcance da razão o questionamento a respeito dos fundamentos últimos da verdade. Se existe uma prova de que algo é verdadeiro, essa prova pode estar ou não estar submetida a algum critério. Se está submetida a um critério, então este critério deve estar submetido a outro, e assim sucessivamente, ad infinitum. Mas se não está submetida a um critério, então é uma escolha arbitrária. Qualquer conclusão é sempre uma conclusão feita usando critérios já dados; o questionamento dos critérios sempre usa outros critérios. Mesmo as conclusões que os leitores estão neste momento fazendo a respeito deste texto são conclusões feitas usando os critérios inquestionáveis (embora quem lê não perceba imediatamente estar usando tais critérios). O fundamento último é inquestionável, portanto, não porque seja uma verdade imposta, mas porque é essa a única forma que a razão tem de tratar o tema, isto é, a partir de verdades inquestionáveis. O DISCURSO pós-moderno de "verdades frágeis" é meramente um falatório que se acovarda diante de dois fatos: o primeiro, de que a razão humana é formalmente completa, mas essencialmente não dispõe de coisa alguma, senão de crenças; o segundo, de que ela não é capaz de investigar fundamentos últimos sem, ao mesmo tempo, usá-los. Não são verdades frágeis aquelas que fazem com que nossos computadores e nossas cirurgias tenham sucesso. Mesmo o discurso pós-moderno usa verdades inquestionáveis; apenas não admite isso.

Por exemplo, a aritmética tem um conjunto de axiomas que a torna possível. 1+1=2 é um desses axiomas (e aqui simplesmente NÃO INTERESSA aquilo que qualquer 'psicologista' possa dizer a respeito da origem de 1+1=2). É um axioma que torna a aritmética possível. É perfeitamente possível construir um sistema matemático em que a relação "1+1=2" seja falsa (e aqui não me refiro aos símbolos "1" e "2", mas sim àquilo que eles representam). No entanto, isso não é mudar as regras do jogo, mas sim jogar um jogo diferente. O ponto é que o único jogo ÚTIL é aquele em que 1+1=2. Do mesmo modo, os axiomas que tornam a medicina e a engenharia POSSÍVEIS são aqueles que as tornam ÚTEIS. Mudar os axiomas é possível e plausível, mas não necessariamente gera ciências úteis.

Nesse ínterim, o raciocínio indutivo é um axioma que torna as ciências empíricas possíveis (novamente, NÃO INTERESSA o que qualquer psicologista tenha a dizer a respeito da origem da indução). Interessa saber se é verdadeiro ou não? Interessa. Mas sabê-lo ajuda às ciências? Certamente que não.

Bacon, Galileu, Descartes, Newton, todo se preocuparam com o método, e suas contribuições a esse respeito fizeram a ciência avançar. Os autores pós-modernos que tentam "desconstruir" (destruir, na verdade) ou problematizar o método das ciências empíricas não contribuiram em absolutamente NADA para o progresso das mesmas. Primeiro, porque geralmente eles próprios não tinham conhecimento algum a respeito delas, não sendo cientistas. Segundo, porque não há nada que eles discutam que não seja óbvio (ainda que em uma linguagem não-óbvia). Ou seja, não há mais o que discutir nesse assunto. Cientistas profissionais como Richard Dawkins referem-se ao pós-modernismo como "charlatanismo". Pós-modernos discutem questões que parecem muito interessantes ao leitor, mas que não produzem absolutamente coisa alguma, senão aquilo que os cientistas já sabem ou aquilo que não os interessa.

O abandono pós-moderno do conceito nominal de verdade se opõe diretamente ao espírito científico. O pós-moderno se opõe à fixidez das leis naturais e à universalidade de valores ético-morais, relativizando-os. Esse abandono tem uma explicação histórica simples: I) por um lado, abandono de valores religiosos; II) por outro, má condução do pensamento social (digo pensamento social, evitando falar em "ciência" social).


I)
Ao contrário do que defendem pesquisadores ateus, historicamente doutrinas cristãs serviram de pano de fundo para a ciência. Embora os avanços da ciência moderna tenham origem em um rompimento com a física católico-aristotélica, uma noção fundamental, a de ordenação inteligível e constante da natureza, é essencialmente judaico-cristã.

"Teu é o dia e tua é a noite; preparaste a luz e o sol. Estabeleceste todos os limites da terra; verão e inverno tu os formaste." (Salmos 74:16,17)

A conclusão judaico-cristã é a de que, se Deus, o mais inteligente projetista, criou o universo, este segue leis imutáveis e fixas. Isaac Newton, em sua principal obra ("Philosophiae Naturalis Principia Mathematica"), na qual descreve as leis do movimento dos corpos (sejam os corpos na terra, sejam os astros no espaço), extasiado diante da perfeição matemática e ordenação do sistema solar, conlui ao final, no chamado "General Scholium" (Escólio Geral): "Este magnífico sistema do sol, planetas e cometas poderia somente proceder do conselho e domínio de um Ser inteligente e poderoso." O próprio Newton era anglicano, assim como também eram cristãos grande parte dos cientistas que mais tiveram impacto sobre a ciência física, como Kelvin (também anglicano), Max Planck (protestante), Kepler (luterano), Werner Heisenberg (luterano), J. C. Maxwell (evangélico), Euler (calvinista) e G. Lamaître (católico).

A idéia de que o mundo tem uma ordenação é um pressuposto ontológico da ciência física. Tudo o que podemos fazer é observar a natureza, e, pressupondo esta ordenação natural, tentar encontrar as leis que a regem. Sem esse pressuposto, não há qualquer maneira de produzir uma ciência física. É um pressuposto da possibilidade da experiência.

De fato, a filosofia grega teve importância no tratamento da natureza, mas a ciência moderna só passou a existir quando a própria filosofia foi ABANDONADA como paradigma de pesquisa. Bacon e Galileu são referências a isso, ambos se insurgindo contra o ensino aristotélico. Foi a noção cristã de um mundo inteligentemente ordenado que permitiu o surgimento da ciência moderna. Uma tentativa falha de criar um pano de fundo não-cristão mantendo a idéia cristã de leis universalmente válidas foi o positivismo filosófico (que em hipótese alguma deve ser confundido com o positivismo jurídico). Um dos fatores que contribuiram para o desenvolvimento da Física na idade moderna foi a matematização; a física aristotélica era essencialmente discursiva, sem uso de equações. Ora, essa matematização da natureza PRESSUPÕE a idéia de uma ordenação "matematizável" (suficientemente estável para que se estabelecessem relações numéricas, quantificadas, passíveis de controle cartesiano). Não é à toa que a vanguarda desta "nova física" (século XVII) foi Descartes, um dos defensores da idéia de que o mundo deriva sua ordenação do Deus criador.

Não foi na Índia hindu, na Arábia maometana, na China confuncionista, taoísta, budista, que a ciência moderna se desenvolveu. Foi na Europa cristã. Essas nações trouxeram desenvolvimentos científicos importantes, mas ainda ingênuos, e geralmente mais progressos de ofício (como engenharia), que ciência propriamente dita.

Não só no campo da metafísica da natureza, mas também no campo dos valores a noção pós-moderna surge a partir do abandono da ética cristã. "Se Deus não existe, tudo é permitido". Analogamente à noção de lei natural universalmente válida, somente a um "Ser inteligente e poderoso" (como se expressava Newton) poderia ser atribuídos valores universalmente válidos. Assim como a laicização européia usou os pressupostos cristãos da ciência física sem reconhecer sua origem, também o fez com valores éticos e morais. Um deles é o de IGUALDADE. A noção de igualdade é cristã. Escreve o apóstolo Paulo:


"Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus." (Gálatas 3:28)

Em outras palavras: não importa a nação, não importa a classe social, não importa o sexo, todos são iguais. Somente em uma Europa em que os valores de igualdade eram reconhecidos (ainda que, DE FATO, não praticados) uma revolução agnóstica, como a francesa, poderia trazer a igualdade como lema. Usam os postulados cristãos, mas esquecem de onde eles se originam.


II)
Mas, como dito acima, o abandono dos valores cristãos não é o único fator. Também existe a má condução das ciências sociais. Grande parte do estudo antropológico (na realidade, um pressuposto do método da Antropologia) é a supressão de qualquer juízo valorativo a respeito de uma cultura estudada. Esse pressuposto, porém, é mau aplicado. Existe uma diferença grande entre dizer:

a) Cada cultura tem uma moral própria, surgida de valores historicamente estabelecidos, e quando as estudamos, não podemos julgar esses valores.

E dizer:

b) Não existe valor universalmente válido, em detrimento de cultura.


A idéia trazida pela primeira idéia é um pressuposto válido para a análise de culturas. No entanto, a forma como descaradamente "cientistas" sociais concluem a segunda idéia, além de desafiar a razão (não mostra de onde tira essa conclusão), extrapola aquilo que o cientista é capaz de investigar, cometendo a falácia de argumentar em círculos (tentando afirmar o materialismo pelo próprio materialismo). Concluir que o homem seja relativo não é o mesmo que concluir que a realidade seja relativa, bem como não é o mesmo que concluir que a realidade seja uma criação do homem relativo.

Existe uma tendência nas ciências humanas e sociais à redução da dimensão humana a um campo. Freud reduz as relações humanas ao sexo. Marx reduz as relações humanas à economia. A conclusão dos pós-modernos também é um redução.



Gyordano Montenegro Brasilino, cristão.

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