15/07/09

Quem criou Deus?


“Grande é o Senhor, e muito digno de louvor, e a sua grandeza inexcrutável.”
(Salmos 145:3)

A Filosofia sob perspectiva crítica lida com os temas mais básicos da experiência humana (entendendo aqui experiência em um sentido mais lato). Questões como “O que é o Ser?”, “Como é possível o conhecimento verdadeiro?”, “Qual a relação entre o eu e o mundo?”, “O que é a mente?”, “O que é beleza?”, “O que é moral?”, “O que é ciência?”, fazem parte dos diversos campos de estudo da Filosofia, hoje e historicamente.



Mas... o que isso tem a ver com Deus?


Vou explicar! Embora a maioria das pessoas tenha uma impressão incorreta a respeito da Filosofia (encarando-a como se fosse uma doutrina religiosa ou uma forma de vida, e não um campo de investigação de temas), os temas tratados por ela são inescapáveis. Todos estão em sociedade (Ética, Política, Estética), todos crêem e conhecem algo (Epistemologia, Metafísica, Lógica). A diferença está em que o Filósofo busca investigar esses temas a fundo, enquanto a maioria das pessoas se contenta com aquilo que os outros lhe ensinam, o senso comum.
Cumpre aqui distinguir Filosofia do senso comum: este diz respeito a respostas preparadas e prontas, consensualmente (embora talvez não pacificamente). Trata-se da tradição, do costume, etc. Diante da pergunta “O que é moral?”, o senso comum aponta diversas situações consideradas morais e outras consideradas imorais. Com a Filosofia não funciona assim. A Filosofia investiga tais questões, mas não tem respostas prontas e acabadas. É claro que ao longo da história do pensamento os diversos filósofos tentaram responder a esse tipo de questionamento, mas estudar Filosofia não significa decorar as respostas dadas pelos filósofos e aceitá-las. Significa entrar na discussão, seguindo as regras do jogo, sendo que até mesmo as regras do jogo são objeto de debate. A Filosofia tem algo em comum com a Arte: é capaz de ditar as regras.


Mas, o que isso tem a ver com... Deus?


Primeiramente, muito! Se a Filosofia investiga as questões mais básicas, é natural que um dos temas tratados seja justamente a existência de Deus. Muitos filósofos buscaram investigar, sob diversos pontos de vista, a possibilidade de que Deus exista, se existe no conceito de Deus alguma contradição, se é possível provar. Na Idade Média, as mentes mais brilhantes lidaram com esse tema, a exemplo de Anselmo da Cantuária, João Duns Escoto e Tomás de Aquino, aqui no ocidente. E não só na Idade Média, como também depois, a exemplo de John Locke, Leibniz, Berkeley, David Hume, Immanuel Kant. Existiram filósofos de ambos os lados, uns argumentando a favor, outros contra, a existência de Deus.
O tema ainda hoje é vivo. No século XX o matemático Kurt Gödel tentou uma reformulação do argumento usado por Anselmo da Cantuária. Filósofos cristãos como Alvin Plantinga e William L. Craig apresentam argumentos a favor da existência de Deus, sob pontos de vista distintos. Do mesmo modo, existem filósofos partidários do ateísmo.
Segundo Immanuel Kant, em sua Crítica da Razão Pura, são possíveis três (e somente três) argumentos da razão especulativa: a) o físico-teológico (ao qual chamamos teleológico); b) o ontológico; c) o cosmológico. Esses três argumentos não foram inventados por Kant; na realidade, a Crítica da Razão Pura torna esses argumentos inviáveis (sendo que o autor cria outro argumento, da razão prática, o argumento moral). Trataremos aqui mais detalhadamente do argumento cosmológico, porque é ele quem traz o problema mais gritante: o regresso ao infinito.
O argumento físico-teológico (ou teleológico) busca provar a existência de Deus demonstrando que a natureza segue exatamente o mesmo padrão que seguiria se tivesse sido feita por uma mente inteligente, mas que (como crê o argumentador) não deveria seguir a mesma ordem se não o fosse. O problema do argumento é que ainda que se estabeleça uma probabilidade muito alta (maior que a probabilidade que temos para confiar em muitos eventos reais da nossa experiência), ainda assim não é uma prova concreta. O estabelecimento de um argumento teleológico mais conciso exige argumentação científica que transcende a Filosofia, como a Física. Portanto, deixa de ser um argumento filosófico.


O segundo argumento, o argumento ontológico, na realidade é um conjunto de argumentos, todos eles buscando provar a existência de Deus pelo próprio ser de Deus, isto é, por aquilo que o seu conceito implica. A forma mais famosa do argumento é aquela demonstrada por Anselmo da Cantuária no Proslógio (século XI), capítulos 2 e 3. O argumento de Anselmo é baseado no “ser do qual não se pode imaginar maior” (que doravante denominarei “D”). Por redução ao absurdo (argumentação que tenta demonstrar algo provando que o seu contrário é absurdo), mostra que se D não existisse na realidade, sua definição não poderia ser obedecida. Se D não existe, haveria algo maior que D, que por sua vez seria imaginável, enquanto D, que, por definição, não pode ser menor que nada, seria menor que ele, um absurdo. D, portanto, necessariamente existe. O ser que não pode ser pensado como não-existente é maior que o ser que pode ser pensado como não-existente. D, por suas características, coincide com aquilo que chamamos “Deus”. Portanto, Deus existe.
O problema desse argumento ontológico de Anselmo é que ele insere na definição do ser uma expressão imprecisa, “maior”, um juízo que deveria fazer referência ao valor de uma característica. É perfeitamente plausível, do ponto de vista lógico, argumentar contrariamente, dizendo que a existência não torna um ser melhor que outro. Um cavalo existente não é maior (do ponto de vista de suas características intrínsecas, por definição) que um cavalo não-existente, ainda que todas as demais características sejam mantidas, porque só fazemos comparações entre os seres por meio da mente (isto é, o cavalo real também é um cavalo ideal, e, por isso, igual ao cavalo ideal fictício). Kant observa que por meio do argumento ontológico simplesmente inserimos na definição de Deus a existência. Se D é maior que tudo e se isso implica na existência, logo faz parte da definição de D a existência, ainda que de forma mascarada. Isso é um absurdo. Portanto, não faz parte da definição de um ser a sua existência.
Embora por definição não possa haver algo maior que D, pode haver algo igual (a definição não o proíbe), além de que a definição permite que inúmeros entes tenham a mesma definição, D, o que igualmente permitiria monoteísmo e politeísmo. Existem, além disso, situações em que não somos capazes de decidir qual ente é melhor que outro. A priori, podemos dizer que um homem justo e forte seja melhor que um homem vil e fraco (ainda que de fato uma pessoa não possa ser melhor que outra), mas entre um homem justo e fraco e um vil e forte, qual é o melhor? É melhor ter corpo ou não ter corpo, é melhor ser visível ou invisível? O critério é arbitrário.
Depois de Anselmo, muitos tentaram reformular o argumento. Como já disse, o matemático Kurt Gödel foi um deles, e também o filósofo Alvin Plantinga. Essas reformulações permitem contornar as falhas apontadas no argumento de Anselmo. Ainda assim, essas reformulações têm pontos controversos e escapam ao raciocínio de alguém não seja dedicado à Lógica.


O terceiro argumento, o que quero aqui, é o argumento cosmológico. Esse é um dos argumentos mais comuns, mas, além disso, é o que gera mais problemas. Chegamos a esse argumento aplicando o princípio da causalidade a toda a natureza. Qual a explicação para a existência do universo? Por que tudo existe, em vez de nada? Pela nossa experiência sensível, o movimento de um objeto é sempre causado por um movimento anterior. O movimento de uma bola chutada é causado pelo chute do jogador; o chute do jogador é explicado por descargas elétricas musculares, de origem bioquímica. Se procedermos indefinidamente, retrocedendo no tempo, há duas possibilidades: a primeira é a de que a cadeia das causas é infinita. Mas isso é um absurdo, porque uma cadeia infinita não teria princípio, e, por isso, não haveria qualquer explicação para que um movimento existisse em vez de não existir. A segunda é a de que existiu uma primeira causa para o movimento. Aristóteles, seguindo a crença grega de que o universo sempre existiu, argumentou a favor da existência de um primeiro motor, um ente que teria dado movimento a todo o universo, ou, do contrário, não existiria movimento algum, e identificou esse primeiro motor com Deus. No entanto, ainda fica em aberto o problema de como o universo, a natureza, todas as coisas, teriam tomado existência.
O senso comum se apropriou desse argumento. Mas ele tem um pequeno problema, também identificado pelo senso comum: quando afirmamos que Deus criou o mundo, a pergunta imediata é: quem criou Deus? Por definição, Deus seria incriado, e, por isso, a pergunta a respeito de quem teria criado Deus é sem sentido. Do ponto de vista racionalista, é uma conclusão lógica a existência de um primeiro ente que teria dado existência a todos os demais. No entanto, o problema é que assim como Deus é, por definição, incriado, poderíamos afirmar que tudo na natureza é incriado, não-causado. Não importa qual explicação seja dada, a ateísta ou a teísta, é preciso que algo seja incausado. O problema é sério.
Antes de prosseguir na discussão, é útil conhecer um pouco do desenvolvimento das idéias na História da Filosofia. Podemos dizer que a Filosofia Moderna começa com o filósofo Descartes ao publicar o Discurso do Método (1637). É desta obra que procede a famosa frase “Penso, logo existo” (Cogito ergo sum). Nesse tratado, Descartes discute a respeito de qual seria o método para a aquisição do conhecimento. O ceticismo fez, desde a Grécia antiga, críticas pesadas a respeito da possibilidade de um conhecimento certo. Ceticismo é a escola filosófica que nega a possibilidade do conhecimento verdadeiro (cumpre distinguir os diversos tipos de ceticismo, como o pirronismo, a forma mais extrema, ou o ceticismo acadêmico, mais moderado). Nessa obra Descartes enuncia um paradigma racionalista da filosofia (sob a perspectiva de um ceticismo metodológico, isto é, de não aceitar aquilo que não se puder provar como verdadeiro), afirmando que através do método dedutivo, por composição e decomposição, se poderia alcançar um conhecimento certo.
Todo o conhecimento é derivado da experiência ou da razão (peço aqui a vênia de qualquer fanático religioso; mesmo a revelação divina é experiência). No entanto, a experiência não nos dá qualquer certeza. No entender de Descartes, é a razão, por análise e síntese, que organiza os objetos da experiência de forma coerente. Através de certos dados da própria razão (dados que não provêm da experiência), seria possível interpretar a experiência e alcançar o conhecimento verdadeiro. Descartes, além de filósofo, também era matemático, e, por isso, aplica a todas as ciências aquilo que a matemática permite: um conhecimento exato e preciso sem qualquer experiência. Faz parte deste “arsenal” da razão princípios que, segundo os racionalistas, não derivam da experiência, como o de que algo não pode ser e não ser (princípio da não-contradição), é preciso que seja ou não seja. Ou é verde ou não é verde; não é possível que seja verde e não-verde.
Mas essa perspectiva racionalista, de confiança no poder da razão, traz alguns problemas. Vejo um monitor, sinto sua solidez, seu cheiro, sua temperatura, e, indo adiante, posso até sentir seu sabor; todas essas coisas são dados dos sentidos. No entanto, não há como saber se o monitor realmente está aí, se realmente existe. É preciso confiar nos sentidos. Tudo o que a razão pode fazer é analisar e sintetizar a partir dos dados da experiência. Esses problemas, que se contrapõem ao racionalismo cartesiano, são aqueles trazidos pela perspectiva empirista. O empirismo teve muitos representantes, geralmente em solo britânico, mas um de seus expoentes mais famosos é John Locke.
Em 1690, Locke publica a obra Ensaio Acerca do Entendimento Humano. Nessa obra, ele argumenta que todos os dados do nosso conhecimento, as chamadas idéias, provêm da experiência, direta ou indiretamente. Por exemplo, só sei que existe o verde porque vi o verde; é impossível saber que ele exista sem tê-lo visto, meramente pela razão. Para Locke, o verde seria uma idéia simples, para a qual a definição é ostensiva (o único jeito de mostrar o que a palavra “verde” significa é apontando para o verde). Assim como há idéias simples, há complexas, como a idéia de um cavalo. A idéia do cavalo é um composto de cor, formato, extensão, sons, cheiro, etc. Conhecemos o cavalo porque já vimos o cavalo, e nossa mente une todas essas idéias simples (visuais, auditivas, olfativas) em uma idéia complexa, e damos a essa idéia complexa o nome “cavalo. Assim, tudo aquilo que sabemos deriva da experiência. Mesmo os seres imaginários derivam dela; quando imaginamos um unicórnio, unimos aquilo que nós já vimos (um cavalo e um chifre, separadamente) em uma nova idéia composta. Seria impossível inventar pela razão pura uma cor nova, um cheiro novo, um sabor novo, se não fosse unindo os cheiros velhos, os sabores velhos, as cores velhas. Assim, todas as informações derivam da experiência, e tudo o que a razão pode fazer é organizar. Princípios como o da não-contradição, no entender de Locke, seriam inúteis. Sabemos que algo é verde porque vemos que é verde, e sabemos que não é verde porque vemos que não é verde, e não porque existe um princípio na razão anterior à experiência sensível. Para Locke, nossa mente, ao nascermos, é uma lousa em branco, que é escrita com os dados da experiência.
Em 1704, o racionalista Gottfried Leibniz publica uma resposta ao livro de Locke, sob o título Novos Ensaios sobre o Entendimento Humano, capítulo por capítulo. Leibniz tenta novamente argumentar a respeito das idéias a priori, isto é, dados da razão independentes da experiência. Para Leibniz, certos conhecimentos como o ser, o tempo e a extensão, devem fazer parte da nossa razão independentemente da experiência, porque nenhum dos sentidos dá certeza deles; transcendem a experiência. Os trabalhos do sistema de Leibniz foram aperfeiçoados pelo filósofo germânico Christian Wolff, o ápice do racionalismo. Esse racionalismo também foi chamado de dogmatismo, porque estabelecia certos dogmas da razão.
Pouco tempo depois, o bispo anglicano George Berkeley publica duas obras: Tratado acerca dos Princípios do Conhecimento Humano (1710) e Três Diálogos entre Hilas e Filonous (1713). Seguindo ainda a visão empirista, Berkeley distancia-se do realismo. Para ele, não existe aquilo que os filósofos escolásticos chamaram matéria, nem substância, nem essência, porque seriam ficções desses filósofos. Toda a natureza seria composta de idéias, e essas idéias estariam na mente de Deus. Berkeley cria um idealismo empirista. A idéia racionalista de que podemos conhecer as leis que regem a natureza, portanto, é abalada pela visão de Berkeley. Se não há matéria, substância ou essência, então tudo o que existem são mentes e idéias, e nada mais.
No entanto, o racionalismo sofreu um golpe mais duro golpe com o filósofo David Hume, também empirista. Em sua obra Investigação Acerca do Entendimento Humano (1748), Hume argumenta que todas as vezes que tentamos explicar alguma coisa na natureza, recorremos ao princípio da causalidade. Quando jogo uma pedra em uma janela de vidro, vejo logo depois que a janela se quebra. Sabemos, então, pela experiência, o seguinte:

I – Joguei a pedra.
II – A janela quebrou.
Esses dois dados são fornecidos pela experiência. No entanto, somos levados a concluir:
III – A janela quebrou porque joguei a pedra.

No entedimento de Hume, esse porque é introduzido por nós. Não existe coisa alguma, nem na razão, nem na experiência, que nos permita acreditar que uma coisa ocasionou a outra, senão meramente o costume. Por mais que o sol sempre tenha nascido, não há como ter certeza de que sempre nascerá. É o costume quem dá a certeza da causalidade. Do mesmo modo, é o costume de vermos o vidro quebrar depois da pedra jogada que nos faz acreditar que isso é uma explicação. Portanto, a causalidade não deriva da razão nem da experiência sensível, mas do costume.
Voltamos à causalidade. Se as afirmações de Hume são verdadeiras e a causalidade deriva da experiência, não há motivo para estendê-la a toda a natureza. Hume argumenta que nós não conhecemos as leis secretas que governam o universo, e que a natureza nos dá uma compreensão muito limitada de si mesma. Sendo assim, o argumento cosmológico cairia.
Além desse problema, há outros. O filósofo cristão William L. Craig, de nosso século, em defesa do argumento cosmológico, argumenta que seria impossível um passado infinito, já que o passado é construído pela sucessão do presente, por adição de finitos. Uma adição de finitos não poderia construir um infinito. Portanto, o passado é finito, e, por isso, o universo necessariamente viria a existir. Somente um ser exterior ao tempo poderia dar início ao tempo. Craig argumenta que esse ser deve ser inteligente o suficiente para fazer escolhas (como a escolha de, existindo fora do tempo, entrar no tempo e criar algo dentro do tempo), de modo que esse “criador inteligente” só pode ser Deus. Se está fora do tempo, não há que se falar em “causa de Deus”: a conclusão lógica é que não tem causa; absurdo seria falar de uma causa para ele. No entanto, escapa totalmente a qualquer entendimento humano uma causa fora do tempo; usar uma categorização humana (inteligente) para algo que não somos capazes de entender é complicado. Além disso, esse argumento abre a possibilidade de que todos os seres do universo tenham existência devido a outros seres desconhecidos fora do tempo, e não uns devido aos outros, em uma cadeia causal. Não há, além disso, como racionalmente explicar que todas as cadeias tenham uma origem só.
Voltemos um pouco no tempo. Dissemos que Descartes iniciou a Filosofia Moderna. No entanto, um outro filósofo, pertinente ao tema, dá início à segunda fase da Filosofia Moderna: Immanuel Kant. Inicialmente um filósofo racionalista, Kant se apercebe de que diante do empirismo de Hume precisa abandonar suas idéias anteriores. Mas Kant não se torna um cético; ele desenvolve um sistema próprio, o Criticismo (que associamos a três livros seus, a Crítica da Razão Pura, a Crítica da Razão Prática e a Crítica do Julgamento). Essa perspectiva busca restaurar, tanto quanto possível, o racionalismo diante do ceticismo humeano. É interessante ler, contudo, um comentário de Kant, no prefácio da segunda edição (1787) da Crítica da Razão Pura (em uma tradução livre):

O Criticismo sozinho pode desferir um ataque à raiz do materialismo, fatalismo, ateísmo, livre-pensamento, fanatismo e superstição, os quais são universalmente injuriosos – bem como ao idealismo e ceticismo, os quais são perigosos às escolas, mas dificilmente atingem o público.

De que modo Kant superou o ceticismo de Hume? Kant estabeleceu uma distinção entre as coisas-em-si e as impressões sensíveis das coisas, ou noumenos e fenômenos, na linguagem dele. Noumenos são as coisas reais, que existiam independentemente de nós, mas, às quais não poderíamos conhecer diretamente, mas poderíamos imaginar. Fenômenos são os dados dos nossos sentidos; unificamos os dados dos diversos sentidos em entes por meio da mente, mas não podemos saber se eles realmente existem independentemente da nossa mente. Essa distinção já está presente na filosofia anterior a Kant, mas a forma como ele lida com a questão é nova. Considerando a questão trazida por Hume, o princípio da causalidade diz respeito meramente à experiência. Assim, não sabemos se no mundo noumenal, o mundo fora da nossa experiência (ainda que a determine), a causalidade é válida, porque não temos certeza se os fenômenos e os noumenos coincidem, nem quais leis regem os noumenos (se é que há). Sendo assim, o problema do regresso ao infinito é anulado. Não faz sentido questionar “Quem criou Deus?”, se estamos nos referindo a um noumeno, e não a um fenômeno.



Gyordano Montenegro Brasilino, cristão.

Um comentário:

  1. Quem criou Deus? Escreva o abeçedalho: A, B, C ,
    D, .....Z. Responda : O que vem antes da letra A?
    Nada! O que vem depois da letra Z? Nada! O mesmo ocorre com Deus! Pois Ele mesmo disse : Eu sou o Alfa e o Omega! Um dia vamos entender tudo isso, mas não agora na matéria...!

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