20/02/09

A Bíblia ensina infalibilidade e inerrância?

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Esse é um ponto muito controverso. O fundamentalismo protestante associa à sua bibliologia duas doutrinas: a infaliabilidade e a inerrância das Escrituras. Em nosso vocalubário coloquial, inerrante e infalível são dois adjetivos que carregam o mesmo sentido: não falhar é o mesmo que não errar, porque falhar e errar são sinônimos. Mas na linguagem teológica empregada por essa bibliologia, infaliabilidade e inerrância dizem respeito a conceitos diferentes. Quando se diz que a Bíblia é infalível, quer-se dizer que ela, doutrinariamente (i.e., para fins espirituais), não contem falhas; que ela não contem erros a respeito da vontade de Deus, e de Sua revelação à humanidade; ou seja: que ela não ensina o pecado, mas a justiça, que ela não ensina o mal, mas o bem; que ela não mostra Deus como Ele não é, mas sim como Ele é, ou ao menos o quanto d'Ele. Quando se diz que ela é inerrante, isso implica em dizer que, historicamente (e também para qualquer fim científico), a Bíblia não contém erros ou contradições, mas que tudo o que a Bíblia relata realmente aconteceu. Pretendo problematizar esses dois pontos, mas especialmente o segundo, o dogma da inerrância. Existem muitos motivos para acreditar que a Bíblia não é inerrante, e que em alguns momentos também não é infalível. Pretendo apresentá-los aqui.
A Palavra de Deus é tudo aquilo que Ele disse ao homem. Tudo aquilo que em todos os momentos Deus falou, colocamos em um só conjunto, e damos a isso esse nome: Palavra de Deus. Veja que nunca as Escrituras chamam a si mesmas de "Palavra de Deus". Existem momentos pontuais, onde as Escrituras clamam que um determinado texto seja a Palavra de Deus, como, por exemplo, em Sofonias 1:1, em que é dito, textualmente: "Palavra do Senhor, que veio a Sofonias, filho de Cusi, filho de Gedalias, filho de Amarias, filho de Ezequias, nos dias de Josias, filho de Amom, rei de Judá". Ou seja: o livro do profeta Sofonias clama ser a Palavra do Senhor que veio a ele. Do mesmo modo, muitos outros livros proféticos. Isso não nos garante que o texto não tenha sofrido adições, alterações ou subtrações, como muitas vezes nos mostram a crítica textual e a alta crítica; mesmo que o texto original seja inerrante, não temos acesso a ele. Também não nos garante que aquilo que o texto clama seja realmente verdade. É falacioso (dada a circularidade) procurar nas Escrituras afirmações a respeito da inerrância, porque primeiramente é preciso que seja provado que aquele versículo é inerrante, para que dele seja inferida a inerrância dos demais. Além disso, não existe garantia de que o profeta Sofonias, por exemplo, tenha sido capaz de transcrever, textualmente, toda a Palavra do Senhor que veio a ele. Ele pode ter cometido equívocos como intérprete daquilo que Deus lhe disse, e pode ter transcrito aquilo que ouviu usando de idéias que faziam parte de sua própria cosmovisão e da de seu tempo, sem haver a garantia de que também essa cosmovisão seja correta.
Nem todos os livros da Bíblia clamam ser a Palavra de Deus. O que muitas vezes fundamentalistas defensores da inerrância fazem é acumular citações de Jesus e dos autores do Novo Testamento a respeito do Antigo em que estes o endossam como correto. Mas isso, como já mostrado, é falacioso, porque não existe garantia de que o próprio Novo Testamento, em sua interpretação do Antigo, esteja correto. Veja que eu não nego que Jesus seja o Filho de Deus morto na cruz do Calvário, ressuscitado ao terceiro dia, que esteja à direita do Pai, que tenha prometido retornar ao seu povo, que tenha criado o mundo, que nos envie o Espírito Santo e seus dons, e que por meio dele possamos alcançar a vida eterna; essa é a fé pela qual os mártires, desde os apóstolos, morreram. Sou pentecostal; creio e vejo os dons do Espírito Santo no meio do povo de Deus; não questiono a revelação do Evangelhos, nem afirmo que os profetas sejam falsos. O que problematizo é que não existe garantia de que Jesus tenha realmente feito referência a tais textos como inerrantes, a própria Palavra de Deus, exatamente porque não existe motivo para crermos que os Evangelhos sejam inerrantes; isso não significa que os autores da Bíblia tenham sido mentirosos, mas que estavam passando a texto aquilo que sabiam, e muitas vezes sabiam por tradição oral. Não questiono aqui, a respeito dos Evangelhos, a infaliabilidade, mas a inerrância. Como o leitor pode conferir, existem, nos Evangelhos, contradições a respeito dos relatos: diante de quem Pedro negou a Jesus? Em que momento Tiago e João se tornam discípulos? Jesus se revelou ao povo abertamente, ou o fez em oculto? Jesus curou um cego (ou dois cegos) na entrada ou na saída de Jericó? Quantos anjos haviam no sepulcro de Jesus, e quantas mulheres foram até lá? Doutrinariamente, são questões sem importância, mas historicamente constituem contradições que impedem o texto bíblico de ser considerado inerrante. O que importa não é quantos anjos havia no sepulcro, mas o fato de que o sepulcro estava vazio, e de que Jesus ressuscitou, e que os discípulos morreram crendo e pregando tal ressurreição. Mas a contradição não desaparece, e por isso o texto não pode ser considerado inerrante.
Mas perceba o leitor que nem sempre o Novo Testamento concorda com o Antigo. Um exemplo disso está em Marcos 10:2-9 (sin. Mateus 19:3-9); segundo o texto, Jesus afirma que Moisés deixou o mandamento escrito pela dureza dos corações dos homens, e não por uma revelação divina. Mas o texto de referência é Deuteronômio 24:1-4. Isso significa que Deuteronômio 24:1-4 não é um texto infalível. Também em Ezequiel 20:25 é mostrado que existiam mandamentos na lei que não eram bons; e isso nós podemos conferir quando lemos o que dizem, textualmente, diversos textos, como Deuteronômio 21:18-21. Além disso, no princípio da pregação de Jesus, o texto de Mateus diz que Jesus discorda de diversos princípios que, para o judaísmo da época, eram sagrados: é o que chamamos de antíteses, e se encontra em Mateus 5:21-48. Defensores do fundamentalismo (especialmente legalistas) muitas vezes afirmam que Jesus não está discordando dos mandamentos antigos, mas os levando aos extremos. Não se pode concordar com tal "defesa"; o fato é que Jesus negou tais mandamentos, como a lei de Talião (que se encontra em Êxodo 21:24,25; Levítico 24:20; Deuteronômio 19:21). O Talião era uma obrigação jurídica de vingança privada; com Jesus, a obrigação é fazer exatamente o oposto do que diz o Talião (Mateus 5:38-42). A lei legitimava o desquite; para Jesus, isso é adultério (Mateus 5:32). Além disso, Jesus e os seus discípulos viveram em seu próprio contexto, um contexto onde todos consideravam que os relatos bíblicos (ao menos a lei de Moisés) eram de fato inerrantes. É questionável, também, se Jesus, depois de ter se despido de sua glória (Filipenses 2:5-8) continuou onisciente; em alguns outros momentos bíblicos também se questiona o mesmo (Marcos 5:25-34; 13:32). Também deve se considerar que, por exemplo, existem muitas formas de provar que o autor do Pentateuco não foi Moisés, ainda que essa fosse a crença dos autores do Novo Testamento.
Também existem alguns pontos em que as Escrituras admitem não estar tratando da Palavra de Deus. Um exemplo disso acontece em 1 Coríntios 7, em que Paulo trata da relação conjugal. Em muitos momentos, afirma estar dizendo mandamentos de Deus, mas, em outros, sua própria opinião, e não aquilo que Deus lhe manda. Não questiono se aquilo que Paulo disse estava ou não de acordo com a vontade de Deus; muito provavelmente estava, mas o fato é que naqueles momentos ele não escreveu sob um ditado verbal, mas conforme sua própria experiência. Confira 1 Coríntios 7:6,10,12,25,40. Em outro momento, como em 1 Coríntios 14:37, Paulo afirma estar dizendo aquilo que é realmente um mandamento de Deus; desse modo, fica evidente que os leitores de Paulo não pressupunham estar recebendo mandamentos de Deus, exceto quando o próprio Paulo dizia, como o faz nesses textos. Um outro momento também é 2 Coríntios 11:17. Se todas as Escrituras, de Gênesis a Apocalipse, fossem a Palavra de Deus, o que deveriamos esperar é que todo imperativo fosse um mandamento, já que sua origem está em Deus, mas isso nem sempre se verifica: confira, por exemplo, Gálatas 6:6 e 1 Timóteo 5:23. Era uma ordem expressa de Deus que Timóteo bebesse água com vinho, por sua saúde, e que todo aquele que é ensinado reparta de todos os seus bens com quem ensina, ou são conselhos de Paulo? Existem também outros momentos, como em 1 Coríntios 11:4-16, em que o texto paulino mostra-se influenciado por usos sociais e costumes de sua época, que nada significam hoje em dia. Se as Escrituras fossem a Palavra de Deus, nela encontrariamos apenas certazas, e nunca hipóteses, mas também essas encontramos (2 Tessalonicenses 1:6). Embora Paulo clame para si autoridade apostólica e um evangelho revelado por Jesus Cristo, ainda assim reconhece que escreve sua própria palavra (2 Tessalonicenses 3:14,15); aquele que lhe desobedece vai contra sua autoridade, mas não se costitui um apóstata.
Os livros da Bíblia foram escritos por pessoas que, ainda que transportado a revelação de Deus, o faziam usando de conceitos de uma cosmovisão primitiva. Um exemplo disso é o da terra plana. Embora exista em Isaías 40:22 alguma evidência da crença em uma terra redonda, existem alguns textos bíblicos que pressupõem a idéia de uma terra plana, como por exemplo 2 Pedro 3:5. A idéia de que a terra tenha sido tirada do meio da água só faz sentido quando consideramos uma terra plana, e não esférica. Além disso, os autores bíblicos acreditavam numa forma de reprodução em que toda a descendência já estava "nos lombos" do antepassado: confira Hebreus 7:9,10 (e compare a Atos 2:30). Hoje sabemos que os homens contém, no máximo, os espermatozóides que darão origem aos seus filhos, mas nunca a uma linhagem, como entre Abraão e Levi ou entre Davi e Jesus. Outro texto a se considerar é Eclesiastes 11:5, que faz sentido em seu próprio contexto, mas não no nosso: hoje em dia sabemos como se forma a criança no ventre da mãe. Isso mostra como a letra das Escrituras não é atemporal, mas associada à sua própria época.
"Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos, a saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo." (Romanos 10:8,9)


Gyordano Montenegro Brasilino, cristão.

17 comentários:

  1. Onde posso encontrar materiais sobre "Moisés e o pentateuco"?

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  2. Se por "materiais" o Sr. se refere a textos GRATUITOS e EM PORTUGUES, é bem difícil encontrar coisa de qualidade.

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  3. Me refiro também a polêmicas sobre a não atribuição do pentateuco a Moisés.

    Abraços,

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  4. Pessoalmente não sei nada de concreto em português e na internet a indicar.

    Mas a versão inglesa de "Prolegomena to the History of Israel" (Julius Welhousen), que aborda exatamente esse tema, está disponível na internet, podendo ser facilmente encontrado no Google.

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  5. Caro Gyordano.

    Sou um humilde Pastor que com certeza não tenho sua formação teológica (graças a Deus). tive a oportunidade de ler um texto de sua autoria sobre Tricotomia, e na oportunidade percebi ou pelo, menos (parece) que sua formação Teológica é fundamentada na Teologia de Bultmam. Não receba como afronta ou como ofensa, mas nunca vi tanta HERESIA numa só pessoa concernente á Rudolf Bultmam. Imagino que você deva saber como foi os últimos dias de vida de Bultmam! Seu mentor Martin Heideger foi um respeitado membro do partido NAZISTA E HOMEM DE CONFIANÇA DE HITLER.
    A BÍBLIA SAGRADA é e sempre será INFALÍVEL, INERRANTE E DIGNA DE TODA ACEITAÇÃO. Como disse: Sou humilde Pastor Servo do Deus Altíssimo fundamentalista pela bondade e misericórdia de Deus. Creio na Palavra de Deus sem nenhuma dificuldade, até mesmo por que as coisas espirituais são discernidas espiritualmente. Aconselho você buscar a sabedoria do Espirito de Deus. Ele sim, pode te revelar os mistério de Deus contidos na BÍBLIA, não os meios científicos.
    Segundo Bultmam Jesus é: MERAMENTE HISTÓRICO, NÃO RESSUSCITOU, O NT É UM MITO, etc...
    Graça e paz!
    Afonso.

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    1. Minha formação não é fundamentada na Teologia de Bultmann. No outro tópico eu sugeri a leitura da Teologia do Novo Testamento de Bultmann porque sua exposição da antropologia histórica neotestamentária (especificamente os temas do corpo, do espírito e da alma) recolocou o problema de um modo que serviu de anteparo para todos os estudos posteriores, mesmo por quem buscou corrigi-lo (e.g. Käsemann, Dunn, Berger, etc). A antropologia teológica anterior partia da Metafísica, enquanto a recolocação do problema do Bultmann a partir da Fenomenologia (sim, de Heidegger), permite uma resposta melhor.

      Eu não sou fundamentalista. A própria Bíblia não diz que é inerrante. Pense: a Escritura é "inerrante" quando nela se afirma, POR EXEMPLO, que o grão de mostarda "é a menor de todas as sementes que há na terra" (Marcos 4:31)?

      Eu concordo que a Palavra de Deus é totalmente inerrante e infalível. Mas a interpretação fundamentalista não é a Palavra de Deus, e por isso uma leitura fundamentalista da Escritura leva a erro.

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  6. Parabéns pelo artigo! Concordo com tudo que foi exposto, porém não consigo entender como depois de alcançar esse entendimento você continua crendo no Cristianismo?!!
    Considero uma incoerência! (Não me leve a mal)
    Depois que obtive esse conhecimento me tornei agnóstico teísta. Creio num criador, porém desconhecido para nós seres humanos. Para mim só poderemos conhecê-lo no dia que ele se revelar a nós. E a Bíblia não é a revelação dele para mim. Creio que um Deus perfeito tem métodos muito mais eficientes para se revelar se assim desejar.

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    1. Isso se dá porque para o Sr. só há duas opções: ou o fundamentalismo ou agnosticismo. É um falso dilema; as opções são muito mais vastas. O Cristianismo não é o fundamentalismo.

      Veja que o Sr. diz crer em:
      Um Criador... que pode se revelar... mas que ainda não se revelou.

      Mas o Sr. pode mesmo sustentar que esse Criador NÃO se revelou? O Sr. pode sustentar no máximo o agnosticismo: dizer que não sabe, o que é uma alegação de ignorância subjetiva, e não um dado sobre a realidade. Mas não pode sustentar que o Criador de fato não se revelou.

      Note: eu sou cristão, creio que Deus se revelou e se revela, e tenho motivos para dizer isso. Entretanto, não tenho como provar que ele NÃO se revelou em outros lugares, a outras pessoas, fora do Cristianismo (ou Judaísmo). É algo que não pode ser sustentado.

      Em suma: o Sr. sustenta que todas as "revelações" de Deus (até agora) são falsas; tudo o que eu afirmo é que ao menos uma delas é verdadeira, e não digo nada sobre as outras "revelações".

      ***

      O problema fundamental a se perguntar é: Jesus de Nazaré ressuscitou dos mortos OU não? Esse é um dilema verdadeiro.

      A Bíblia e a Igreja são os veículos pelos quais historicamente chegamos a conhecer a ressurreição de Jesus, mas a pergunta não é se a Igreja ou se a Bíblia são inerrantes. A questão fundamental é: Jesus DE FATO ressuscitou ou não? A questão fundamental é sobre um fato, não sobre um texto.

      Se Jesus ressuscitou, o Cristianismo é verdadeiro. Se Jesus não ressuscitou, o Cristianismo é falso. Tertium non datur. Podemos discutir depois o que significa "Cristianismo", como interpretá-lo, mas o ponto chave é que a ressurreição de Jesus é o elemento fundante, pelo qual o Cristianismo se sustenta ou cai.

      Se Jesus ressuscitou, o testemunho dos apóstolos acerca da ressurreição é verdadeiro. Se Jesus não ressuscitou, os apóstolos mentiram (o testemunho deles é falso).

      Mas se os apóstolos mentiram, o que eles ganhariam mentindo, senão uma morte violenta (seja da parte de judeus, seja da parte de romanos)? Veja que eu tenho todos os motivos para crer que eles estavam dizendo a verdade: Jesus ressuscitou. Isso não anula a necessidade da fé, mas mostra que essa fé é coerente com o conjunto de fatos como se apresentam.

      Ademais, a ressurreição de Jesus (e o Cristianismo) não é coerente APENAS com a situação existencial dos apóstolos, mas TAMBÉM com a nossa. Qualquer pessoa hoje que quiser saber se o Cristianismo é verdadeiro poderá sabê-lo com certeza, livre de qualquer dúvida razoável, de uma maneira muito simples: pergunte ao próprio Deus.

      Isso não significa que haja uma forma "neutra" de saber se o Cristianismo é verdadeiro. Só há uma forma de saber que o Cristianismo é de Deus: perguntar ao Deus do Cristianismo.

      Há sensacionalismo em nome de Deus, sem dúvida.
      Há mentira em nome de Deus, sem dúvida.
      Mas Deus se revela, sem dúvida.

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  7. Meu amigo, quando eu lhe disse crer em um criador, eu me refiro à possibilidade dele existir! Sendo honesto, creio que a probalidade de uma possível criação è muito maior que a probabilidade da evolução.
    Agora, quando digo que não existe a revelação è pq todas as que existem são pessoais! Não temos um padrão que possa servir como paradigma a todos. Quando ficamos no campo pessoal as coisas se tornam subjetivas demais! Nem mesmo acerca da ressurreição temos prova. Ficaremos novamente no campo das experiências pessoais!

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    1. É óbvio que qualquer revelação só pode ser pessoal, isto é, dada a PESSOAS. Uma revelação não pode ser dada a árvores, tatus, lesmas ou pedras; somente a pessoas.

      O cristianismo funda-se em uma pessoa concreta, de carne e osso, Jesus de Nazaré, e na afirmação de que ele ressuscitou dos mortos. O fato de ser pessoal não implica em nenhuma "subjetividade", porque a mesma revelação foi dada a todos os apóstolos: todos eles estiveram com Jesus e testemunharam de sua ressurreição.

      Dizer que não temos uma prova acerca da ressurreição não é verdade. Temos prova dela como temos prova de qualquer evento histórico passado: o testemunho dos apóstolos, que morreram testemunhando (portanto não eram mentirosos) perante os inimigos do cristianismo (que poderiam mostrar o corpo morto de Jesus, mas não o fizeram).

      Mais do que isso: qualquer pessoa hoje PODE saber se o cristianismo é verdadeiro. Basta perguntar a Deus. Deus responde e Deus faz milagres em nome de Jesus de Nazaré.

      Quando o Sr. diz que ficaremos "no campo das experiências pessoais", ora, não há NADA nesse mundo que esteja fora das "experiências pessoais". A vida humana são as experiências pessoais. Pessoal não quer dizer subjetivo.

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    2. Caro Gyordano, quando me refiro a revelações pessoais quero dizer experiências particulares. A maioria das "supostas" revelações são individuais, e quando coletivas são sempre "viciadas" de aspectos do grupo que o indivíduo pertence. Não temos uma revelação "tal", que possa ser apresentada a todos independente de crença; algo que convença a crentes e céticos.
      Segundo, o fato dos apóstolos morrerem pelo que acreditavam não os torna verdadeiros. Temos muçulmanos morrendo todos os dias pelo islã, e nem por isso devemos abraçar a religião deles!
      Terceiro, um fato histórico não é considerado como tal apenas por existir testemunhos, mas sim, por apresentar todo um conjunto de provas e documentos históricos que o comprovem. Não apenas porque alguém contou uma historinha!
      Por último, falar que Deus responde nossas indagações quando clamamos a ele é bonito, mas não é necessariamente real. Fui cristão evangélico durante 10 anos da minha vida. E ainda que você não acredite, fui fervoroso em tudo que fiz e preguei. Em um determinado momento comecei a perceber muitas incoerências em minha fé. Comecei a clamar desesperadamente. Afinal de contas não desejava nem um pouquinho me tornar cético, ateu, agnóstico, ou qualquer outra coisa do gênero.
      Mas sabe o que aconteceu? Absolutamente nada! Nunca tive nenhuma resposta sequer do Deus do Cristianismo! Clamei, clamei e clamei por misericórdia; por uma renovação da fé; por experiências que me ajudassem a não perder a mesma, cedendo assim aos "enganos" da minha própria mente!
      Apesar de toda essa humilhação e oração, não aconteceu absolutamente nada!
      Só pude concluir que acreditei em uma mentira durante anos! Coisas que infelizmente recebemos como herança cultural e social.
      Mesmo assim, como lhe disse anteriormente, não abri mão de acreditar na possibilidade de um criador. Afinal, as evidências de uma criação são muito maiores do que as de um surgimento da vida por causas puramente espontâneas e acidentais.
      E até que eu conheça esse Criador de fato. Até que ele se revele a mim, não abraçarei nenhuma religião!

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    3. Não temos uma revelação que "convença" a "crentes e céticos". Não temos e NUNCA teremos, porque o propósito da revelação não é convencer a "crente e céticos", mas sim de dar oportunidade àqueles que quiserem de conhecer a Deus.

      O Sr. não compreendeu o que eu disse sobre os apóstolos. Os muçulmanos que morrem diariamente pelo Islão morrem assim porque FORAM enganados; mas Maomé não morreu pela fé, pelo contrário, ele fugiu quando teve a oportunidade. Nem Jesus nem os apóstolos fizeram isso. Se os apóstolos estivessem mentindo sobre a ressurreição de Jesus, bastava reconhecerem a mentira para não sofrerem o que sofreram.

      Todo "conjunto de provas e documentos históricos" são testemunhos. Toda a historiografia da antiguidade se baseia em testemunhos, sem exceção.

      Sobre sua "experiência particular" eu nada posso dizer, porque o Sr. não contou a história toda (e provavelmente não vai contar), e eu não tenho como lhe dizer onde o Sr. errou.

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    4. Como assim? Se o propósito da revelação não é convencer, então pra que é?
      Quando revelamos algo a alguém nosso propósito é esclarecer um dado com o objetivo de facilitar o entendimento e a aceitação de uma determinado dado.
      A própria bíblia diz que devemos apresentar a razão da esperança que há em nós! Diz que se deve levar cativo todo entendimento a Cristo!
      Como Deus pode cobrar de alguém que creia nele se ele não se importa ao menos em convencê-lo? O que pra mim já soa um absurdo! Afinal um Deus todo poderoso tem condições suficientes de se revelar eficientemente. Nós que somos falhos e limitados sabemos nos dar a conhecer a alguém. Sendo Deus maior do que nós, não poderia se dar a conhecer de forma mais eficiente do que a alegada por vocês cristãos - a bíblia?!
      É como se tivéssemos que nos "virarmos" pra achar Deus e ele não contribui nem um pouquinho!
      Outro fato engraçado é como vocês cristãos tem a mania de julgar como erro as experiências dos outros que não vivenciam o que vocês vivenciam! Por que fui eu que errei em não ter tido a resposta de Deus? E porque os muçulmanos estão enganados e os cristãos não?
      Sinceramente, chega a ser cômico! Mas eu entendo, já passei por essa fase de sempre me culpar por coisas que Deus não faz!

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    5. O propósito da revelação divina é tornar a Deus conhecido, não convencer sobre nada. Se eu digo que tenho fome, revelo algo que está em mim (e que ninguém mais saberia se eu não revelasse); não procuro "convencer" ninguém de que tenho fome. Revelar minha fome é uma coisa; tentar convencer de que tenho fome é outra totalmente diferente. Se o Sr. se importa em saber se tenho fome é um problema seu.

      Eu não disse que Deus não se interessa em convencer ninguém. Mas isso simplesmente não é a revelação de Deus. Por isso, achar que a revelação bíblica "não convence" e que Deus teria outros meios para "convencer" é uma confusão. Não, a Bíblia não convence de absolutamente nada para quem não crê, e o propósito dela não é esse.

      Pelo contrário, Deus tem meios eficazes e infalíveis de convencer qualquer pessoa do que quer que seja. Qualquer pessoa pode sim estar plenamente convencida da verdade do Evangelho. Deus FAZ milagres em confirmação da pregação do Evangelho.

      Note como o Sr. mudou minhas palavras: eu não disse que "os muçulmanos estão enganados e os cristãos não". O que eu disse é que é impossível que os apóstolos tenham mentido, mas os muçulmanos podem sim ser enganados, assim como podem os cristãos. Mas os apóstolos não poderiam nem ser enganados, nem enganar. Se fossem enganados por Jesus, eles teriam o abandonado após sua morte; se fossem enganadores, não teriam morrido pregando o Evangelho.

      Em outras palavras: O muçulmano pode perfeitamente morrer pelo Islão, e isso não prova que o Islão é verdadeiro, porque o Islão não é o testemunho da ressurreição de Maomé. O Islão é simplesmente o testemunho de que o deus-lua Alá se revelou através de Maomé e disse tais e quais coisas. Não há nada de sobrenatural nisso.

      Sobre julgar, eu já disse: não tenho como dizer qual foi seu erro, mas o Sr. só não pode querer que eu lhe respeite mais do que a Deus. Foi o Sr. quem veio à minha página pedir minha opinião.

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    6. Só para encerrar nossa conversa, pois não vamos chegar a um consenso!
      Não pedi sua opinião sobre nada, só fiz um comentário sobre seu post. Considero incoerente você querer usar a bíblia para argumentar se você não crê nela como infalível e inerrante. O próprio Pr. Afonso Ribeiro, acima, questionou seus fundamentos e valores cristãos!! Como alguém usa a bíblia como instrumento para convencer alguém sobre Deus, se admite que ela possui incoerências, inverdades e falhas?! É como se eu dissesse que determinado material possui valor X, mas no fundo eu reconheço que pode apresentar defeitos ou vícios de origem, e que na verdade esse valor é apenas uma possibilidade, não algo concreto.
      E mais uma vez em relação aos apóstolos terem morrido pelo que pregavam, afirmo que isso não prova a verdade do evangelho, nem da ressurreição, nem de doutrina alguma do cristianismo!
      Muitas pessoas morrem por coisas pelas quais estão sinceramente e convencidamente enganados!
      Posso colocar a "mão no fogo" por várias coisas e depois perceber que estava equivocado!
      E em relação ao respeito do qual você tratou, não quero que me considere mais do que Deus. Se de fato ele falou com você, e eu creio que não, acredite nele! Se algum dia ele te respondeu, conversou com você, te deu evidências irrefutáveis de sua existência, continue com ele!
      Abraços e sucesso nessa jornada da vida!

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    7. A teoria da evolução é comprovada. Ja o livro de Genesis é comprovado como um plagio dos mitos babilonicos.

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  8. Como assim, a teoria da evolução é comprovada? Afinal a ciência moderna se baseia no método empírico, ou seja, no empirismo que quer dizer que para se comprovar alguma coisa ou teoria, tem que ser de uma forma que se possa sentir, ou seja, possamos ver, ouvir, tocar, saborear ou sentir o cheiro. E não é possivel aplicar esse método a teoria da evolução. Nunca ninguém viu um ser vivo evoluir e se transformar em outro ser vivo, nunca ninguém ouviu a evolução, não a tocou, enfim não a experimentou por nenhum sentido natural humano. O que Charles Darwin disse e escreveu, é baseado em observações de alguns seres vivos em alguns lugares da terra, em um relativo pequeno espaço de tempo, alguns precários anos de sua vida se comparado aos "milhões de anos" apregoado pelos evolucionistas. Como creremos em uma teoria criada por um simples ser humano, pretensamente querendo explicar a criação da vida na terra? Isso é muito subjetivo e assim é necessário uma certa pitada de fanatismo e insensatez para crer na teoria da evolução.

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