05/05/08

O problema do denominacionalismo

Texto base:
"Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas. Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor." (Joã0 10:15,16)


Dá-se o nome de "denominacionalismo" (algumas vezes, denominacionismo) à forma de agrupamento praticada por reuniões cristãs (geralmente Protestantes), conforme a qual diversas congregações abaixo denominações diferentes seguem governos, convênios e doutrinas diferentes, embora geralmente mantendo um corpo doutrinário considerado ortodoxo. Qualquer denominação que não seguir o padrão estabelecido é considerada herética.

De modo geral, diferentes denominações têm pouco contato entre si. Embora possa haver engajamentos evangelísticos e missionários, membros de denominações mais recentes (pentecostais e neo-pentecostais) tem uma forte tendência (muito próxima ao sectarismo) a rejeitarem cooperação com as mais tradicionais (de origem européia). A recíproca também é verdadeira.

O denominacionalismo na realidade é uma mazela atual que cria animosidade no seio cristão. O propósito da Igreja, desde seu princípio judaico, foi sempre o de permanecer uma. Na oração feita por Jesus, ao qual pertence a Igreja, em João 17, ele declara sua intensa e profunda vontade dele de que haja união em meio ao seu povo. A vontade de Jesus Cristo é que sua Igreja tenha uma unidade tão forte quanto a unidade que existe entre o Pai e o Filho. É maravilhoso ler esta oração.

Mesmo na época apostólica, porém, houveram desentendimentos que provocaram formas de sectarismo. A Igreja de Corínto enfrentava este tipo problema. Sabemos através de 1ª Coríntios 1:11-13 que existiram contendas entre aqueles cristãos, que buscavam, através de uma autoridade apostólica, dividir o Corpo de Cristo. Em 1ª Coríntios 3:1-4 o apóstolo Paulo chama aos crentes daquela Igreja de carnais, mesmo que não faltasse àquela Igreja nenhum dom (χάρισμα), como se se lê em 1ª Coríntios 1:7. Eram crentes que conheciam ao poder de Deus, mas tinham dificuldade em permanecer no seu amor (ἀγάπη; 1ª Coríntios 13:2). Décadas depois, quando Clemente de Roma escreve uma epístola àquela Igreja, trata do mesmo assunto: continuavam as sedições.

Também a Igreja dos gálatas enfrentou este tipo de problema, mas desta vez por motivos doutrinários. Diversos membros da congregação, como se percebe ao longo de toda a epístola, haviam sido influenciados por falsos doutores judaizantes, que propunham a circuncisão e a obediência da Lei de Moisés aos cristãos. Uma resposta muito interessante que o apóstolo Paulo lhes deu, depois de nos falar um pouco sobre sua própria história está em Gálatas 3:28: tanto judeus quanto gentios, tanto escravos quanto livres, tanto homens quanto mulheres, são todos UM em Cristo.

A obra de Cristo, aliás, se consuma justamente em sua morte e ressurreição, o momento em que ele quebra e destrói a parede de separação que havia entre judeus e gentios, fazendo todos um só povo, conforme Efésios 2:14-16.

Jesus é a cabeça da Igreja, e ela é seu corpo. Quando o corpo não funciona em união e harmonia, toda a ordem desaparece. Jamais congregações espalhadas e desunidas terão o potencial evangelístico de um grande corpo unido e em comunhão. É exatamente isso que o apóstolo Paulo responde em 1ª Coríntios 12:12-30. Cada membro do corpo tem sua função, mas se ele não trabalhar com harmonia pode tornar-se um câncer. Este é exatamente o problema criado pelo denominacionalismo. Entre duas congregações, até mesmo na mesma rua, criam-se separações. Não é tão fácil encontrar cooperação entre duas congregações de denominações distintas, especialmente nos casos acima.

O denominacionalismo é, acima de tudo, um sistema capitalista. Denominações diferentes funcionam como empresas em um mercado. As grandes formam um oligopólio ideológico, sob o pretexto da já tratada ortodoxia. Tentam suprimir a todo esforço grupos menores e mais recentes. E usam, para tanto, de práticas como o dízimo para manterem os bolsos cheios. Literalmente uma empresa.

Não digo, de modo algum, que os cristãos (e até os dirigentes) de denominações diferentes não cumpram a vontade e os propósitos de Deus. Não digo, de modo algum, que Deus não tenha ajudado essas denominações a pregar o Evangelho . Mas o problema com certeza não é com Deus, e sim com o ser humano, que forja grupos e separações.

A Igreja primitiva, em suas primeiras décadas, eram composta de comunidades razoavelmente isoladas umas das outras, guiadas pelo Espírito Santo. Cristãos influentes como Paulo e João escreviam cartas às igrejas que respeitavam a autoridade deles (geralmente fundadas por eles; Romanos 15:20), com o intuito de corrigir erros que se perpetuavam, mas de modo geral o sistema era congregacional. E, por incrível que pareça, o fato de que cada congregação tinha direção local propiciava maior união em toda a Igreja.

Não sou a favor de ecumenismo. Muito pelo contrário: considero o ecumenismo algo absurdamente contra a vontade de Deus. Com certeza Deus quer que seu povo seja um só, mas existem muitos perigos por trás do ecumenismo. O primeiro é de que ele pressupõe respeito mútuo, mantendo assim o relaxamento teológico. Duas igrejas em ecumenismo tendem apenas a encontrar entre si pontos de igualdade, mas jamais debater os erros de cada uma. O ecumenismo é o estado em que se pode dizer "Nós somos amigos. Não aponte meus erros, e eu não aponto o seu". Só existe ecumenismo porque existe denominacionalismo.

O estado natural da Igreja é a unidade. A Igreja já é só uma; não depende de qualquer forma de comunhão forçada para que seja mantida sua estabilidade. A partir do momento em que deixa de ser uma, já não é mais Igreja, porque o significado desta palavra (EKKLESIA) é justamente o de congregação, e não apenas de um tipo qualquer de congregação, mas aquela que foi separada de todo o resto.

O problema do denominacionalismo não é o da Igreja para consigo, mas da Igreja para com o mundo. Ao mesmo tempo que a Igreja, ao adotar o sistema denominacional, se assemelha ao mundo, também impede que o mundo venha a ter o conhecimento do real cristianismo. Além de empresa capitalista, a denominação também é partido político. Não é tão fácil ver membros de uma denominação criticarem a doutrina da própria; critica-se muitas vezes a liderança, critica-se membros liberais, mas jamais critica-se a doutrina ferrenhamente. Quando muito, um ou outro comentário tímido.

Mas para que a Igreja volte aos moldes primitivos, guiada unicamente pelo Espírito Santo e pela Palavra de Deus, é necessário que muita coisa seja deixada para trás. Tradicionalismos religiosos, costumes locais e todo esse tipo de coisa PRECISA ser deixado para trás. O que impede certas denominações demasiadamente conservadoras (muitas pentecostais) de cooperarem pelo Evangelho do Reino é, por incrível que pareça, mais a discordância de costumes (vestimentas, práticas litúrgicas), do que a discordância de doutrinas. Cada denominação espera que todas as demais adotem os seus costumes e doutrinas. Até parece que cada crente está filiado a um partido.

Hipocrisia.



Gyordano Montenegro Brasilino, cristão.

Um comentário:

  1. AMÉM ,IRMÃO QUE O SENHOR ABENÇOE O SEU MINISTERIO GRADEMENTE EM NOME DO SENHOR JESUS CRISTO!POIS A IGREJA DO SENHOR JESUS CRISTO DO MUNDO PRECISA SER EDIFICADA MAS QUE DEUS TENHA COMPAIXÃO DOS IRMÃOS EM CRISTO POR CAUSA DO DENOMINACIONISMO!!!!A PAZ DO SENHOR JESUS CRISTO,POIS MUITOS VÃO ACHAR QUE SOMOS CEITAS MAS NÃO TEM POBLEMA IRMÃO PAULO TBM FOI CONSIDERADO}!!

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