29/04/08

A divindade plena de Jesus

(Este artigo necessita de séria revisão)


Texto base:
“E Tomé respondeu, e disse-lhe: - Senhor meu, e Deus meu!
Disse-lhe Jesus: - Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram. ”
(João 20:28,29)

A finalidade do autor não é dissertar acerca da natureza de Jesus ou o de sua disposição na divindade, mas demonstrar biblicamente que Jesus é Deus e o único Deus, sempre com D maiúsculo. Não será negado em nenhum momento que o Pai e o Espírito Santo sejam igualmente Deus. Antes de ser demonstrado que Jesus Cristo é Deus, é preciso estabelecer primeiro que o Cristianismo é uma religião Monoteísta. Jamais Henoteísta, Dualista, Triteísta ou Politeísta. Este é um ponto-chave. Se o cristianismo primitivo puro e simples admitisse a existência de diversos deuses, ainda que guiados (ou rejeitados) por um Deus maior, então provar que Jesus Cristo é Deus não faria sentido. Seria apenas mais uma divindade.

A Bíblia declara expressamente em diversas passagens, especialmente ao longo no Velho Testamento, a existência de apenas e exclusivamente um Deus verdadeiro, Iavé.

Isto se dá à origem histórica do cristianismo: desde o judaísmo. Contudo, a possibilidade da existência de deuses menores (deuses comparativamente, não literalmente – 1ª Coríntios 8:4-6) deixa margem para um pensamento semi-henoteísta, sob o qual Deus seria o criador dos deuses menores, filhos sujeitos a Ele. Henoteísmo é a crença e adoração direcionada a um determinado deus maior (monolatria), sem descartar a possiblidade de deuses menores, que não recebem adoração; trata-se de um ponto médio entre monoteísmo e politeísmo.

Para qualquer leitor que não tenha familiaridade com a Bíblia, eis diversas confirmações bíblicas a respeito do monoteísmo, através da perspectiva de diversos autores: Deuteronômio 10:17; 11:13; 13:1-3; 28:14; Josué 22:22; 24:16,20; II Samuel 7:22; 22:32; I Reis 8:23,60; II Reis 5:15; 19:15; I Crônicas 17:20; II Crônicas 6:14; Salmos 18:31; 81:9; 86:8-10; 89:6; 96:5; Isaías 37:16; 43:10; 44:6-8; 45:5,14,21,22; 46:9; 64:4; Jeremias 50:44; Oséias 13:4; Joel 2:27; Miquéias 4:5; Malaquias 2:10; Marcos 12:29-32; Gálatas 3:20; Efésios 4:6; 1ª Timóteo 2:5.

João 1:1

Neste contexto, o versículo João 1:1 é especialmente revelador, nos afirmando que (2) o Verbo estava com Deus, e que (3) o Verbo era Deus. A passagem bíblica jamais poderia ser traduzida como “um deus”, ou mesmo “um Deus” (no caso de um henoteísmo igualitário). A língua grega, na qual foi escrito o Novo Testamento, traz em sua morfologia, assim como o latim e o alemão, diversas configurações desinenciais (os casos) que permitem que determinado termo seja identificado como sendo, por exemplo, sujeito ou objeto direto, sem que haja necessidade de abundantes preposições (como ao caso do português). No grego, sintexe e morfologia são muito mais íntimos que ao português moderno.

O problema emerge, porém, nas orações nominais, uma vez que o caso Nominativo é usado tanto para o sujeito quanto para seu predicativo, ou seja: em grego, sujeito e predicativo do sujeito se escrevem do mesmo modo.

O artigo definido associado ao Logos, presente em João 1:1, serve para diferenciar o sujeito do seu predicativo, evitando que o leitor entenda como “E Deus era o Verbo”. É por isso que João 1:1 diz KAI ThEOS HN 'O LOGOS, não KAI 'O ThEOS HN 'O LOGOS. Deus (ThEOS) em João 1:1b apresenta artigo porque não se encontra no nominativo: a preposição PROS declina o substantivo para o acusativo. Deste modo, "e o Verbo era Deus" é, sintaticamente, a única tradução possível.

Perceba também o leitor, que no grego não existia a distinção atual entre "Deus" e "deus"; ela era feita através do artigo. Em Deuteronômio 7:16, na Septuaginta, bem como em 2 Coríntios 4:4 (ao novo testamento), mesmo para deuses pagãos e para o diabo é usado o artigo definido. Como no português, o artigo define o substantivo: se um deus qualquer (ausência de artigo), um deus conhecido, mesmo que pagão (artigo definido, no grego) ou o Deus verdadeiro (também artigo definido). A única distinção é, portanto, entre Deus verdadeiro e deus falso (inexistente). Tratar o Verbo como "um deus" é tratá-lo como Deus falso.

Confira Êxodo 34:14. Se a escolha pela tradução de João 1:1 for por colocar o Logos (a Palavra, o Verbo) como sendo “um deus” e não “Deus”, então teremos a primeira séria contradição, porque a Bíblia expressamente declara que todo joelho se dobrará à autoridade de Jesus Cristo (Filipenses 2:5-10), que estava inicialmente em forma de Deus. É interessante, também, ver a relação entre Filipenses 2:10 e Isaías 45:23 (bem como Romanos 14:11). Veja tambem Deuteronômio 32:39. Estas passagens bíblicas deixam também clarríssimo o fato de que não havia nenhum deus com Deus, contradizendo qualquer tradução que diga, em João 1:1, que “a Palavra estava com Deus e a Palavra era um deus”. Esta é a segunda séria contradição.

Marcos 8:38 diz claramente que Jesus virá na glória de seu Pai. Estas passagens dizem o mesmo que Mateus 16:27 e Lucas 9:26.

João 17:5 traz uma revelação de igual importância: Jesus tinha uma glória com o Pai antes que o mundo existisse. Também é dito o seguinte, em João 16:15. Veja que no grego, PANTA significa literalmente "tudo", porque não foi determinado nenhum leque de opções. Se Jesus Cristo virá na glória de seu Pai e todas as coisas de seu Pai o pertencem (incluindo Sua glória), então pensar que o Pai e o Filho são absolutamente distintos gera uma contradição com Isaías 42:8; 48:11, que nos declaram que o Pai não dará sua glória a nenhum outro. Esta é a terceira séria contradição.

Se Jesus não é Deus, há também contradição entre Jeremias 10:6 e João 14:9; Hebreus 1:3.

A passagem bíblica de I João 5:20 é uma das poucas que claramente e sem sombra de dúvida declara Jesus Cristo como sendo o Deus verdadeiro, não admitindo de forma alguma interpretações distorcidas, se a tradução for correta. E muitas vezes não é o que acontece. Primeiro precisamos de uma explicação resumida a respeito dos pronomes demonstrativos Este e Esse. A confirmação da veracidade das informações aqui apresentadas pode ser confirmada através da Internet ou de gramáticas.

Esse/Essa/Isso:
- Próximo ao ouvinte. Essa roupa é bonita. A roupa está próxima do ouvinte (ou no ouvinte).
- Relacionado a acontecimentos no futuro. Esse é um grande ano. Determinado ano no futuro é (será) grande.
- Relacionado a acontecimentos dos quais já se estava dialogando. Mas esse menino é mesmo tão ruim? O “esse” retoma o mesmo menino já dito. - Relacionado à penultima pessoa de uma lista. Lucas, João e Pedro vieram à minha casa ontem. Esse João é muito engraçado. O “esse” obrigatoriamente refere-se a João, jamais a Pedro ou Lucas.

Este/Esta/Isto:
- Próximo ao interlocutor. Esta é a revista da qual haviam lhe falado. A revista está próxima ao interlocutor.
- Relacionado a acontecimentos no presente. Este é um grande ano. O ano é aquele vivido pelo interlocutor.

- Relacionado a acontecimentos dos quais não se estava dialogando. Esse menino é uma peste, mas não sei nada sobre este Lucas. O “este” diferencia-se do “esse” e coloca na conversa uma nova pessoa.
- Relacionado à última pessoa de uma lista. Temos uma homelete, um punhado de arroz e uma batata. Esta está crua. O “esta” refere-se exclusivamente à batata.

Reconhecer a diferença entre estes pronomes é fundamental para compreender o versículo, e saber reconhecer uma tradução incorreta. Assim diz I João 5:19,20, com o pronome demonstrativo e o termo ao qual se refere, em duas diferentes traduções bíblicas:

“Sabemos que somos de Deus, e que todo o mundo está no maligno. E sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna.” (ACF)
“Sabemos que nos originamos de Deus, mas o mundo inteiro jaz no [poder do] iníquo. 20 Mas, sabemos que o Filho de Deus veio e nos deu capacidade intelectual para podermos obter conhecimento do verdadeiro. E nós estamos em união com o verdadeiro, por meio do seu Filho Jesus Cristo. Esse é o verdadeiro Deus e a vida eterna.” (TNM)

A diferença é absurda. Enquanto a ACF afirma que Jesus Cristo é o Deus verdadeiro e a vida eterna, a TNM afirma que Deus é o Deus verdadeiro. É preciso, portanto, avaliar qual destas traduções é mais fiel ao texto original.
Vejamos o que diz o Textus Receptus (transliterado):

OIDAMEN DE 'OTI 'O 'UIOS TOU ThEOU 'HKEI KAI DEDWKEN 'HMIN DIANOIAN 'INA GINWSKWMEN TON AGHThINON KAI ESMEN EN TWI AGHThINWI EN TWI 'UIW AUTOU IHSOU KRISTWI OUTOS ESTIN 'O AGHThINOS ThEOS KAI ZWN AIWNIOS.

O Codex Sinaiticus (do século IV) concorda com o texto do Receptus, embora todo o texto que consta em 1ª João 5:19,20 no Receptus esteja ao versículo 20 do Sinaiticus.

O pronome demonstrativo grego OUTOS, o mesmo que se encontra em Mateus 9:3, corresponde ao “este” da língua portuguêsa (Strong's 3778).

Se a tradução correta fosse “esse”, o pronome grego usado seria 'ODE (Strong's 3592). Esta informação pode ser confirmada por gramáticas gregas e dicionários laicos. Portanto, neste sentido, a tradução mais próxima do real, e que carrega o sentido verdadeiro é a ACF. O versículo diz que Jesus Cristo é o Deus verdadeiro.

Evidência da divindade de Jesus Cristo: A Peshita, bíblia em siríaco (sem determinados antilegomena, e, portanto, suficientemente antiga) apresenta dois termos relacionados a Deus: Maran e MarYah. Enquanto a palavra Maran seria correspondente ao termo Senhor (como na relação entre um suserano e um vassalo, ou entre um mestre e seu discípulo), o segundo, MarYah, é usado na Peshita todas as vezes em que o tetragrama Y-H-W-H (popularizado como YeHoVaH ou Jeová, mas provavelmente Iavé) aparece. O fato interessante é que, uma vez que o Novo Testamento que usamos foi originalmente escrito em grego, este só apresenta um termo para qualificar a Deus, KURIOS (“Senhor”), além do termo ThEOS (“Deus”), que corresponde ao Elohim (“Deus” ou “deuses”) hebreu vétero-testamentário (relação é visível na Shema: Deuteronômio 6:4 vs Marcos 12:30), a Peshita apresenta o termo Y-H-W-H também no Novo Testamento, o que seria impossível no texto grego.

Ao considerarmos que MarYah siríaco corresponde ao Y-H-W-H hebráico, percebemos que, no Novo Testamento, que esta palavra é usada também nos momentos em que Jesus Cristo é chamado Senhor. Ou seja: a Peshita declara EXPLICITAMENTE que Jesus Cristo é YHWH (o Deus dos hebreus), o Deus único (exemplo: Atos 10:36). Qualquer estudioso do siríaco, bem como qualquer cético a respeito da divindade de Jesus, mas sincero, que analise a Peshita não terá a mínima dúvida de que Jesus Cristo é Deus.

Uma das passagens bíblicas favoritas entre os que crêem em Jesus Cristo como sendo Deus é João 8:57-59. Neste ponto, os manuscritos concordam claramente no termo EGW EIMI, literalmente traduzido como “eu sou”.

Uma tradução literal também poderia ser “eu existo”, mas jamais “eu existi” ou “eu era”. A Septuaginta chama Deus de KURIOS nos momentos nos quais se lê SENHOR ou Jeová (ou ainda Iavé / Javé). Em um especial momento, contudo, Deus chama a si próprio de Eu Sou o Que Sou. É no momento em que Deus se revela a Moisés. Assim diz a Septuaginta em Êxodo 3:14: KAI EIPEN 'O ThEOS PROS MWUSHN EGO EIMI 'O WN KAI EIPEN OUTWS EREIS TOIS 'UIOIS ISRAHL 'O WN APESTALKEN ME PROS 'UMAS. Perceba-se que o texto massorético é posterior à Septuaginta.

A expressão usada em João 8:58 e Êxodo 3:14 é a mesmo: Eu Sou [O Que Sou], com a consequente tentativa por parte dos fariseus de apedrejar Jesus por, segundo eles, blasfemar (v. 59). Jesus jamais seria apedrejado pelos fariseus por simplesmente dizer que viu Abraão, ou por deixá-los sem resposta. Eles o queriam apedrejar por, segundo eles, querer fazer-se Deus. Estavam, novamente segundo eles, obedecendo à Lei, por apedrejarem alguém que quis fazer-se Deus (não reconhecendo, porém, que Jesus era Deus): Levítico 5:1; 24:16.

Há também uma comparação interessante entre Isaías e Apocalipse que permite encontrar Jesus Cristo como sendo Deus: Tanto aquele (Apocalipse 1:17,18) quanto este (Isaías 44:6; 48:12) afirmam ser o Primeiro e o Último. Compare também Apocalipse 22:12,13 a Isaías 62:11, levando em conta Apocalipse 21:5-7. Também ambos são um só Templo (Apocalipse 21:22). Confira, por fim, Romanos 9:1-5.

Todos os versículos bíblicos nos quais Jesus Cristo declara-se diferente do Pai são respondidos através do entendimento de Colossenses 2:9 e Filipenses 2:5-8 (e, é claro, João 1:1-3,14). A única dificuldade se encontra em Mateus 19:17; Marcos 10:18; Lucas 18:19, passagens bíblicas usadas por unitáristas, tanto cristãos quanto membros de certas religiões (como o Espiritismo), assim como céticos que queiram desacreditar a veracidade da divindade de Jesus.

O problema está na tradução a ser usada, ou melhor, no texto a ser traduzido. A própria TNM está mais próxima do real sentido que as versões Almeida, neste ponto. Enquanto no Textus Receptus Jesus realmente se diferencia de Deus, no Codex Sinaiticus (bem como no Texto Crítico usado pela TNM) o texto está bem diferente. Assim diz Mateus 19:16,17, transliterado:

16 KAI IDOY 'EIS PROSELThWN AYTWi EIPEN DIDASKALE TI AGAThON POIHSW 'INA SCW ZWHN AIWNION
17 'O DE EIPEN AYTWi TI ME ERWTAiS PERI TOY AGAThOY 'EIS ESTIN 'O AGAThOS EI DE ThELEIS EIS THN ZWHN EISELThEIN THRHSON TAS ENTOLAS

Em tradução livre:

16 E eis que veio a ele alguém e disse: “Mestre, que bem farei para obter a vida eterna?”
17 Ele, porém, lhe disse: “Por que me perguntas acerca do que é bom, visto que só há Um que é bom? Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos.”

Faz-se necessário entender que o Filho e o Pai são distintos no mesmo Deus. Vide Apocalipse 21:22; 22:3. Esta distinção é perceptível ao longo dos livros do Novo Testamento, mas é erroneamente interpretada como sendo a óbvia negação da divindade de Jesus Cristo. É preciso, portanto, entender que o Filho e o Pai são distintos em um só. O Filho é a expressão imagem do Pai (Hebreus 1:1-3); é Deus em semelhança da carne (Romanos 8:3). O Filho é a imagem da pessoa do Pai. A distinção entre o filho e o Pai dá-se em João 1:14 por João 5:26,27 e Colossenses 2:9, com consequência em Filipenses 2:5-8. Destituído de seus poderes, e em forma de servo (em forma de ser humano), Ele recebe o título de Filho de Deus (Deus encarnado). A distinção finda em 1ª Coríntios 15:28, quando teremos um só templo (novamente Apocalipse 21:22; 22:3). É por isso que até então em diversos momentos da Bíblia o Filho é visto à direita do Pai (como a visão de Estêvão), mas em visões vétero-testamentárias (ex: Isaías 6) não é visto o Filho: ainda não estava distinto, embora o Logos (como o chamam em João 1:1 e Apocalipse 19:3) pre-existisse (Malaquias 5:2).

Também é este o motivo pelo qual o filho não sabia a hora de sua parusia (Mateus 24:36).

Veja que como através de Jesus Cristo foi criado o universo e todas as coisas que neste habitam (João 1:1-3; Hebreus 1:1-3), ele pre-existia, mas indistinto do Pai. Embora diversos pais da Igreja tenham identificado Jesus Cristo com a Sabedoria pre-existente encontrada no livro de Provérbios (especialmente 8:22-36), não existe evidência concreta de que Jesus Cristo o seja. Embora inicialmente haja aparente referência a tal em 1ª Coríntios 1:24, o mesmo livro anula tal informação por 2:7, por onde a Sabedoria, personificada em Provérbios, torna a um estado de pessoa impessoal: uma entidade não-inteligente e metafísica. Uma idealização.

É momento para uma explicação basilar a respeito do Logos (Verbo/Palavra) de João 1:1-3; 1 João 1:1-3; Apocalipse 19:13. O conceito filosofico da palavra grega Logos, defendido pela corrente grega do estoicismo de Zenão, foi desenvolvido, segundo consta, por Heráclito de Éfeso, filósofo pre-socrático que viveu no século V a.C. Para Heráclito, o Logos (com a conotação de “Razão”) era uma força universal, uma ordem natural do universo em toda as suas antíteses. Era a racionalidade e mecanicidade por trás de toda mutação que todos os seres e objetos sofrem constantemente. Era, acima de tudo, uma força impessoal, ainda que lógica. Heráclito também rejeitava o politeísmo; para ele havia apenas um Deus, embora este não fosse o Criador (não muito diferente de como demais pré-socráticos imaginavam a origem do universo). Heráclito cria, portanto, em um Deus e em um Verbo (Logos). Quando escreveu o evangelho, o apóstolo João teria retomado esta idéia, conhecida dos gregos, dando-lhe uma roupagem cristã, sem precisar todo um novo conceito filosófico-teológico. Portanto, o ideal de João 1:1-3 não é propriamente cristológico, mas filosófico.

Uma evidência da unidade (um só Deus) na diversidade (o Pai no Filho) está na ressurreição de Jesus.

Jesus declara, através de uma metáfora explicada pelo redator, em João 2:19-21, que ressuscitaria a si mesmo, enquanto em Atos 2:24 é dito que o Pai ressuscitou Jesus. O maior erro dos que descrêem na divindade de Jesus Cristo é pensar que o fato de o Filho não ser o Pai os torna completamente distintos. Leia João 5:18. O fato de, por exemplo, o Filho orar ao Pai não muda o fato de Jesus Cristo ser Deus, mas mostra que naquele momento a encarnação de Deus é distinta dEle.

A passagem Bíblica mais curiosa é, certamente, 1ª Coríntios 8:4-6, que diferencia grandemente o Pai do Filho. Verdadeiramente, analisando-a isoladamente, é difícil crer que o Filho seja Deus. Ele é o Filho de Deus, como sempre afirmou. Ser filho de Deus indica que Jesus Cristo é Deus encarnado, e não Deus restritivamente. É a encarnação, não aquele que encarnou (Isaías 62:11, Zacarias 2:10,11, Filipenses 2:6,7), ainda que Jesus tenha toda a divindade que também o Pai tem (Colossenses 2:9). Deve-se notar que a partir do momento em que Jesus Cristo se esvai de seu poder, aniquilando-se (Filipenses 2:5-8), ele deixa de ser Deus (não em sua essência e natureza, mas em sua forma). Observe-se também 1ª Coríntios 8:4-6 sob a perspectiva de Atos 17:24, por onde o Pai também é Senhor, aparentemente negando que apenas o filho é Senhor, sem nos esquecermos de João 20:27-29.

Nota (07/01/2011): A parte em vermelho acima sofreu correção. Constava inicialmente "seu ser".

Note-se também a claríssima unidade entre o Pai e o Filho por João 14:26 contra 15:26. Ver também Isaías 9:6.

Quanto a João 10:30 (como João 8:58,59, também tem como consequência Levítico 24:16), ocorre divergência entre as traduções ACF e TNM, por onde esta última emprega termos que não estão presentes em manuscrito algum, seja Receptus, Crítico (Westcott-Hort, Nestle-Aland), Sinaiticus, Vaticanus ou qualquer grego outro, bem como as versões Itala, Vulgata Latina e Peshita. Nenhum manuscrito afirma que o Pai e o Filho sejam um em propósito. Assim diz o Codex Sinaiticus:

EGO KAI 'O PATER 'EN ESMEN
Em português, literalmente: Eu e o Pai um somos.

Veja que o termo 'EN é o mesmo usado na Septuaginta para Deuteronômio 6:4.

Um terceiro texto de João, que tem a mesma idéia de 8:58 e 10:30 é 18:5-8:

5 APEKRIThHSAN AYTWI IHSOYN TON NAZWRAION LEGEI AYTOIS EGW EIMI 'EISTHKEI DE KAI IOYDAS 'O PARADIDOYS AYTON MET AUTWN
6 'WS OYN EIPEN AYTOIS EGW EIMI APHLThON EIS TA OPISW KAI EPESAN
7 CAMAI PALIN OYN EPHRWTHSEN AYTOUS TINA ZHTEITE 'OI DE EIPAN IHSOYN TON NAZWRAION
8 APEKRIThH IHSOYS EIPON 'YMIN 'OTI EGW EIMI EI OYN EME ZHTEITE AFETE TOYTOYS 'UPAGEIN.

Neste momento a TNM adultera as escrituras. Em nenhum momento é dito que Judas estava parado. O que se encontra é apenas MET AUTWN (“com eles”), por mim sublinhado.
Jesus, no alto de uma colina, quando viu a multidão de pessoas (Mateus 26:47; Marcos 14:43) e a coorte (6 centúrias, ou 480-600 soldados), ou seja, um grande agrupamento de pessoas com tochas e numa área silenciosa, percebeu de longe os que vinham. Uma multidão tão grande jamais estaria toda ao redor de Jesus, lembrando que as coortes eram ordanizadas às fileiras em pares. Ou seja: formavam uma longa fila. Não estavam parados ao redor de Jesus. O mais incrível e tudo é que o que derrubou toda a fileira, que teoricamente seria incapaz de ouvir Jesus falar, foi o simples fato de Jesus Cristo ter afirmado: EU SOU (EGW EIMI), que sofreu inversão na tradução da ACF, o mesmo termo que se encontra em Êxodo 3:14 na Septuaginta (e na época não havia o texto massorético), bem como João 8:58,59.

Êxodo 3:14 (LXX):

KAI EIPEN 'O ThEOS PROS MWYSHN EGW EIMI 'O WN KAI EIPEN 'OYTWS EREIS TOIS 'UIOIS ISRAHL 'O WN APESTALKEN ME PROS 'UMAS

Ou seja: E disse Deus a Moisés: “EU SOU AQUELE QUE É”; e ele disse: “Então tu dirás aos filhos de Israel: “AQUELE QUE É me enviou a vós””.

É interessante notar a versão de João 1:18 presente no Codex Sinaiticus:

ThEON OYDEIS 'EWRAKEN PWPOTE MONOGENHS ThEOS 'O WN EIS TON KOLPON TOY PATROS EKEINOS EXHGHSATO

Ou seja: Ninguém viu a Deus em tempo algum; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, ele o explicou.

Novamente o termo “Deus” sendo aplicado a Jesus Cristo, como em João 1:1 e João 20:28. Não existe qualquer motivo para considera que Jesus Cristo seja simplesmente um “deus”, porque este termo só se aplica a deuses biblicamente falsos, como os das diversas religiões, bem como o diabo, Satanás. E isto porque no grego não existia a distinção que existe atualmente, em escrever Deus com “d” maiúsculo quando se refere ao Deus do cristianismo. Se o autor do evangelho escreveu Deus só há duas possibilidades:

1) Ele chamou Jesus de verdadeiro Deus.
2) Ele chamou Jesus de falso deus.
Uma terceira hipótese só poderia surgir em outra língua.

A saudação de 2 Pedro 1:1 é, com relação à divindade de Jesus, algo muito especial. Ela nos diz que Jesus Cristo é Deus do mesmo modo que encontramos em João 1:1: clara e objetivamente.

Mesmo nomes próprios, e até a palavra 'Deus', no grego, são antecedidos de um artigo definido. Disto já foi tratado no caso de João 1:1c. Um ponto chave que aprende-se cedo é que quando se deseja colocar um adjetivo (ou o termo que seja) em posição atributiva a um determinado substantivo, ele é posto entre este e o artigo definido. Ou seja, não importa quantos adjetivos, pronomes ou substantivos se coloque entre o substantivo principal e seu artigo, todos são atributivos

O problema enfrentado por unitaristas acerca da tradução de 2 Pedro 1:1 é que o substantivo Deus está qualificando o nome Jesus Cristo. Se o artigo definido estivesse em posição atributiva para com Deus apenas, o pronome possessivo deveria se encotrar entre o próprio artigo e o substantivo 'Deus', mas no texto grego este não é o caso! Tanto o substantivo "Deus" quanto o pronome possessivo "nosso", bem como o adjetivo "salvador", estão em posição atributiva a JESUS CRISTO, ou seja, entre o artigo definido e o nome.

Se fosse diferente, antes do nome de Jesus Cristo deveria constar outro artigo definido, pondo fim ao anterior, como vemos em 2 Coríntios 13:13. Isto impossibilita de "nosso" estar na posição explicativa (para com Deus), e não atributiva (para com Jesus). Perceba que exatamente a mesma construção aplicada em 2 Pedro 1:1 (nosso Deus e Salvador) está também em 2 Pedro 1:11; 3:18 (nosso Senhor e Salvador), sendo que a segunda passagem deixa absolutamente explícito tratar-se de Jesus Cristo exclusivamente. Confira Tito 2:13 (regra de Granville Sharp, como em Filipenses 2:25; Hebreus 3:1).

Passagens como João 1:1 e João 20:28 mostram a divindade de Jesus claramente expressa e caracterizam a crença por parte de um segmento cristão na divindade de Jesus Cristo.

Existem, porém, passagens em que a divindade de Jesus Cristo está implícita. O autor não diz que Jesus Cristo é Deus, mas esta, de acordo com o contexto, é a única forma de entender a passagem sem adulterar o texto em si e sem entrar em contradição com a gramática grega.

Uma destas passagens, muito espercial por mostrar a divindade de Jesus através da cristologia paulina, é 1 Tessalonicenses 3:11.

É um erro pensar que a divindade de Jesus Cristo só é expressa na obra de João; Paulo também acreditava que seu Senhor e Salvador era Deus. Isto é o que seus escritos mostram (vide Romanos 9:1-5).

Vamos ao versículo em si. A prova cabal da divindade de Jesus Cristo é por associação dele com a persoa do Pai, de modo muito semelhante com o que acontece em João 10:30 e João 14:8,9. O verbo utilizado por Paulo ao texto (KATEYThYNW) encontra-se no singular, enquanto o sujeito composto da oração é o Pai e Jesus Cristo.

Trata-se, portanto, de uma prova irrefutável. A única forma de negar a divindade de Jesus Cristo seria afirmar que Paulo não conhecia a concordância da língua grega (mesmo sendo ele um judeu de cidadania romana e leitor da Septuaginta), e por isso errou.

Ou seja: o que o texto de 1 Tessalonicenses 3:11 nos mostra é que Jesus e o Pai são o mesmo, ou seja, são um. Este é exatamente o mesmo ponto defendido pela cristologia de João.


Gyordano Montenegro Brasilino, cristão.

21 comentários:

  1. Sirleide da Rocha6 de jan de 2011 16:57:00

    eu tenho mais é uma pergunta: Jesus e os discípulos falavam grego ou hebraico, ou aramaico?

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  2. Sirleide da Rocha6 de jan de 2011 17:18:00

    Mais uma: -Se é certo o que se diz neste texto: "Deve-se notar que a partir do momento em que Jesus Cristo se esvai de seu poder, aniquilando-se (Filipenses 2:5-8), ele deixa de ser Deus (não em sua essência e natureza, mas em seu ser).", ele não poderia morrer, Deus não morre,se o filho, quando em sua encarnação era um ser divino tanto quanto um ser humano, como ele pode ter morrido? Morreu pela metade? Como alguém morre pela metade? Fica um morto vivo, como uma espécie de zumbi? Segundo o Priberam ser é aquilo que exprime a existência, entre outras, e o Aurélio é ter existência real.Como posso exprimir a existência de alguém que é imortal e mortal ao mesmo tempo? Qual era de fato a existência real do filho aqui como humano, uma vez que as sagradas escrituras afirmam que ele morreu?

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  3. Sirleide da Rocha6 de jan de 2011 17:36:00

    Me perdoe, mas tenho mais uma: -Se mono é a expressão de único, como três pode ser um, ou único? Essa doutrina trinitariana é medonha. Quanto mais eu leio sobre ela, mais esquisita fica.O salvador disse que a salvação consiste em conhecer ele e o Pai; como posso conhecer algo tão indefinível como esse Deus único em três pessoas? O politeísmo é mais razoável que o cristianismo que vocês nos apresentam.

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  4. Sirleide da Rocha6 de jan de 2011 17:50:00

    Outro dia, lendo um post neste site, YAOHUSHUA o caminho a verdade e a vida,mandei o seguinte comentário: A cada dia que passa e, quanto mais eu leio esses tipos de tentativas em explicar através de conjecturas, a relação entre o Pai e o Filho, através de formulações sobre as quais as escrituras não são claras, mais eu vejo como nós seres humanos somos inaptos e tardios em aceitar as coisas simplesmente como nos foram reveladas pelo Pai, através do Filho. Fiquei simplesmente assombrada em ver como a imaginação humana se deleita em crer que é senhora da situação, quando posta em atuação para defender um ponto de vista qualquer. Não tenho palavras para definir com exatidão tal afirmação, a de que, podemos comparar a existência do Filho igual em eternidade com a do Pai, pelo fato de que nós, já existíamos mesmo antes de existir, em nossos pais, óbvio que mesmo antes de se conhecerem. E se por uma fatalidade do destino, tal não acontecesse, estaríamos fadados a uma existência não existencial dentro de nossos pais que na verdade nunca seriam nossos pais, e por aí vai. Mas com certeza YAOHUSHUA não correu tal risco, porque diferente de nós seres humanos, ele não tem mãe; sabe que depois de ler tantas explicações fantasiosas a respeito da geração do Filho pelo Pai, começando pela doutrina da ICAR, e passando por todos os demais trinitarianos, a minha imaginação também começou a funcionar, e quando eu leio coisas do tipo como a que vocês defendem sobre o Filho em relação ao Pai, eu começo a pensar que ULHIM é emafrodita, ou então um tipo de ser que praticou a mitose, e deu origem a duas novas células, idênticas a célula mãe, no caso, a célula pai, o Filho e o espírito santo, perfazendo assim um total de três seres iguais. Mais ainda que este fosse o caso, os dois posteriores tiveram sua origem em um anterior, e antes disso não existiam, lógico que depois da brilhante explicação através da analogia usada no estudo, eles já existiam na célula mãe, o pai, ou ULHIM.Viu, o que vocês estão fazendo com a mente das pessoas? Ou pelo menos com a minha. É por causa dessas sandices que eu prefiro ficar com o que nos foi revelado pelo Filho acerca do Pai, e de si mesmo, nas escrituras sagradas. Mas no caso da ‘terceira pessoa’ da divindade trinitariana, tem o diferencial no qual as escrituras afirmam em I Coríntios 2:11, através do apóstolo Paulo, ou Shaul, como queiram, onde este faz uma analogia sobre o espírito santo comparando com o nosso espírito, se Shaul, falou a verdade, então o espírito bem poderia ser tido na conta de ser o único a ser co-eterno com o Pai, pois que, este sim sempre existiu nele como seu espírito, assim como nós temos o nosso, creio eu, que desde a concepção. E se o Pai é eterno, óbvio afirmar que seu espírito também o é. Meu e-mail é: sirleidedarocha@hotmail.com

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  5. Resposta à primeira postagem: Jesus e seus discípulos (assim como os demais judeus da época) falavam possivelmente grego e aramaico. O que chamamos hoje de "hebraico" não era língua falada na época de Jesus.

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  6. Resposta à segunda postagem: Em nenhum lugar se afirma que Jesus morreu pela metade. Jesus morreu inteiramente, em forma humana. Os atributos divinos de Jesus precisam ser interpretados em acordo com sua situação em forma de homem.

    É correto dizer "Deus não morre". Errado é dizer "Deus não é capaz de se colocar em uma situação em que possa morrer". Isso seria uma limitação ao seu próprio poder.

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  7. Resposta à terceira postagem: em nenhum lugar eu me referi a categorias como Trindade ou doutrina trinitária. Peço que a Sra. não confunda as coisas.
    Sua referência a João 17:3 é falha, porque o próprio Jesus esclarece como o Pai é revelado nele (João 14:8,9). Ora, se Jesus é o resplendor da glória do Pai e a expressa imagem de sua pessoa (Hebreus 1:3), não há como concebê-lo senão completamente unido ao Pai, como ele mesmo diz: Eu e o Pai somos um (João 10:30).

    Ademais, Da. Sirleide, eu não estou apresentando nenhum cristianismo senão aquele que foi apresentado por a esmagadora maioria de cristãos ao longo dos séculos. Eu não sou superior a nenhum dos cristãos que me precederam, nem posso pensar ser.

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  8. Resposta à quarta postagem: A Sra. pensa assim, Da. Sirleide, porque se considera na frente da esmagadora maioria de cristãos. A Sra. precisa primeiro estudar aquilo que está criticando, assumindo papel de HUMILDADE.

    Em segundo lugar, o nome de Jesus não é YAOHUSHUA. Tal nome é uma INVENÇÃO contemporânea, disseminada por uma seita.

    Em terceiro lugar, Jesus tem sim mãe: Maria de José de Nazaré (Lucas 1:43), que continuou como mãe mesmo depois da ascensão de Jesus (Atos 1:14).

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  9. Sirleide da Rocha7 de jan de 2011 07:40:00

    Tá. Eu agradeço por me responder. Não me considero a frente de ninguém. Mas tenho o direito inalienável concedido pelo único e soberano criador de céus e Terra e de tudo que neles há, de raciocinar segundo as informações que obtenho. Quanto ao nome do filho do eterno Pai, esse e-mail como eu te falei, foi enviado para o site mencionado, e eles usam este nome, como estava falando com eles usei a terminologia deles. Quanto ao filho e o Pai serem um, Jesus também fala para que nós sejamos um como ele e o Pai, isso não significa que nos fundiremos e seremos um único ser. Ou pelo fato de possuirmos uma mesma substância ou essência, que é a humana, não seremos por isso uma só criatura, continuaremos sendo milhões de seres humanos unidos ao filho e ao Pai, mas cada um conservando sua individualidade. É por isso que eu não creio nesta baboseira de que são três mas um único Deus. Me perdoe se pareço um tanto quanto grosseira. Meus questionamentos foram sinceros.Só estou um pouco cansada disso tudo (suspiro). Tem uma frase que eu gosto muito: "Em geral o homem crê só por ouvir discursos. Deveria, porém, raciocinar um pouco. Goethe, escritor alemão. Tchau!

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  10. Na realidade, Da. Sirleide, a Sra. está errada. A vontade de Deus segundo as Escrituras é sim que nos termos um único ser. Chama-se "Igreja", que funciona como um único organismo e um único corpo (1 Coríntios 12:12-27), com uma só cabeça, que é o próprio Cristo.

    Acredite, Da. Sirleide, a Sra. critica aquilo que não entende. Em toda postagem a Sra. foi a única que se referiu a Trindade. Eu não! Está confundindo tudo. O assunto do tópico é a "Divindade de Cristo", que é um assunto extremamente simples de se provar pelas Escrituras, de diversas maneiras.

    Não há como fugir dessa realidade: a Sra. está se colocando acima da esmagadora maioria de cristãos ao longo de uma história de séculos, porque acredita que seja capaz de pensar mais do que todos eles. Eu penso diferente, Da. Sirleide. Em realidade, aquilo que a Sra. chama de "pensar" (lógica, filosofia, ciência, etc) foi criado pelos intelectuais cristãos que guardaram e aperfeiçoaram a tradição ocidental de pensamento crítico.

    É muito fácil se rebelar contra toda uma cristandade. A história está cheia de "santos" e "santas" superiores aos demais. O problema é que esses "especiais" nunca são capazes de responder àquilo que os gigantes da intelectualidade cristã que lhe antecede construiu. É muito fácil fazer comparações bobas com "mitose" (que não guardam qualquer relação com o assunto em pauta). Difícil é estudar todos os intelectuais cristãos (Gregório Taumaturgo, Atanásio, Basílio, Gregório de Nissa, Gregório Nazianzeno, Hilário de Poitiers, Anselmo, Aquino, Barth, Pannenberg, etc) que escreveram em profundidade e levantaram questões e respostas muito antes da Sra. nascer.

    Acredito que a Sra. se sinta ofendida pela minha resposta, mas não vou mudar o tom das minhas palavras. Se a Sra. estiver disposta a discutir com SERIEDADE, eu posso lhe ajudar com suas dúvidas até o limite da minha capacidade. Espero que a Sra. sinceramente REFLITA sobre esse assunto.

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  11. Sirleide da Rocha8 de jan de 2011 18:11:00

    Eu discordo de você. A comparação não é boba, é ridícula. Mas se você não entendeu o meu ponto de vista, vou tentar ser mais clara. O que acontece é que existem tantas fantasias em relação ao tema, às quais dão nomes técnicos, e que realmente não tenho o menor interesse em me aprofundar nelas, que eu disse que a minha mente começou a fantasiar também. Quanto a você pretender isolar um tema de outro, como a divindade do cristo e a trindade, é impossível, porque pelo que apurei, esta depende daquela. É verdade que você não abordou tal assunto, mas, para a minha pessoa, fica subentendido, pois todos que defendem aquela, defendem esta, mas posso estar enganada, pois pouco sei sobre o que crê, a não ser o pouco que li no seu blog. Quanto a igreja ser um ser, isto é metafórico, não é? Porque a definição empregada por mim é a de um ente vivo, animado. E quanto aos grandes pensadores e intelectuais do cristianismo, pouco me interessa suas definições se não tiverem sustentação nas escrituras sagradas. Se você é adepto do escolasticismo, ou crê que a literatura patrística, e todos os pensadores que vieram depois destes com seus argumentos teológicos são fonte integra em matéria de fé, muito embora, não seja isto a verdade abrangente de um todo, que eu pude perceber no que você publica, é melhor você tomar cuidado. Mestre verdadeiro só existe um: o filho do todo poderoso criador de Terra e Céus e de tudo o que neles há. Lembre-se que dele foi dito: "Alguns dos chefes, ou alguém dos fariseus por acaso creram nele?" E dos não eruditos: " Mas este povo, que não conhece a lei, são uns malditos." João 7:48 e 49. Tenho lido com muito interesse o que você publica no blog, tem muitas coisas boas. Agora, quanto ao fato de você pretender que eu não seja humilde por questionar e não concordar com certas elucidações expostas, isso só prova que eu não sou parcial. A unica fonte da qual só jorra o que é puro e límpido em todo o tempo, é o Pai, do resto Paulo já disse:" Julgai tudo, retende o bem". Paulo também não era humilde?...

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  12. Sirleide da Rocha8 de jan de 2011 18:21:00

    ...Fico feliz em ver pessoas como você que se esforçam para ajudar pessoas que tem menos acesso ao conhecimento da história do cristianismo e a interpretação das escrituras sagradas, porém, lembre-se: "o temor do Senhor é o princípio da sabedoria" Salmo 11:10 e Provébios 9:10. E de onde você tirou a idéia que Tiago 1:5 e 6 só se cumpre, se é que se cumpre, porque depois de tantas coisas horríveis e sem sentido que eu tenho visto vir de tais fontes, os quais você chama de intelectuais cristãos, na vida destes? DEUS NÃO FAZ ACEPÇÃO DE PESSOAS. E pelo visto você se esquece disto, em meio a sua empolgação pela erudição. Não entenda com isso, que desprezo tudo que se pode chamar de erudição. Não estou dizendo que deles nada se aproveita. Como dizem, tire-se os espinhos e coma-se a carne. É basicamente o que Paulo fala. Você parece nem se lembrar, quando fica exaltando os tais "gigantes da intelectualidade cristã", que aliás eu já pesquisei faz algum tempo sobre eles e suas teses teológicas, que Deus prefere revelar seu conhecimento aos simples, que se deleitam em aprender dele que é a fonte de todo conhecimento e sabedoria, pois se comprazem na obediência devida a Ele. E sobre eu estar "me colocando acima da maioria esmagadora de cristãos", fico feliz que você pense assim, pois está escrito: "Ai de vós, quando todos vos bendisserem, pois do mesmo modo seus pais tratavam os falsos profetas." E a história da ação de Deus no trato com a humanidade, mostra que ele não é da maioria, pelo contrário, pois o mestre dos mestres ensinou que largo é o caminho que conduz a perdição, e são muitos os que andam por ele, mas em contra partida, estreito é o que conduz a vida, e poucos são os que atinam com ele. E eu lembro isso por causa do que está escrito: "Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; ao contrário, sentindo coceira nos ouvidos, juntarão mestres para si mesmos, segundo os seus próprios desejos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos." II Tim 4:3 e 4. Porquanto "...nos últimos dias haverá tempos difíceis. Pois muitos serão egoístas, avarentos, orgulhosos, vaidosos, xingadores, ingratos, desobedientes aos seus pais e não terão respeito pela religião. Não terão amor pelos outros e serão duros, caluniadores, incapazes de se controlarem, violentos e inimigos do bem. Serão traidores, atrevidos e cheios de orgulho. Amarão mais os prazeres do que a Deus; parecerão ser seguidores da nossa religião, mas com as suas ações negarão o verdadeiro poder dela. Fique longe dessa gente!" II Tim 3:1-5. A grande maioria dos pregadores cristãos costumam apontar para os de fora. Mas é nos de dentro, cuja metáfora deve ser de uma noiva pura e sem mácula a ser apresentada para o noivo em sua vinda, que tem se manisfestado em abundância tais características. Isso com certeza se dá, porque a "maioria esmagadora" prefere dar ouvidos a ensinamentos de homens, ou, buscar nas especulações da mente filosófica humana, a sabedoria oculta em Deus, que Ele reserva para os sinceros e fiéis de todos os séculos. Sirleide da Rocha.

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  13. O problema é exatamente esse, Da. Sirleide: considerar-se um dos "pequenos" a quem Deus revela não é humildade. É soberba!

    Considerar-se um dos poucos a quem está confiada à verdade (e não à maioria que a Sra. tão prontamente julga e condena) não é sinal de humildade. É soberba!

    É triste saber que a Sra. fica feliz em que eu pense que se coloca acima da esmagadora maioria de cristãos. Realmente triste.

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  14. Mais uma coisa:

    O dogma trinitário depende da divindade de Jesus, mas o inverso não é verdadeiro. Há diversos grupos que afirmam que Jesus é Deus, mas não são trinitários: sabelianos (Unicistas), binitarianos, triteístas e socinianos.

    Acontece que só é possível discutir o dogma trinitário DEPOIS de ficar estabelecido se Jesus é ou não é Deus. Não antes! É até natural que seja assim, visto que esta é a ordem de como o tema foi debatido ao longo da História da Igreja.

    Sobre a Sra. não ter interesse em pesquisar o tema por conta das dificuldades técnicas, isso apenas agrava a situação. A Sra. critica algo que sequer tem interesse de pesquisar.

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  15. Eu era Um Estudante das Testemunhas de Jeová.quase me filei.frequentei os Salões do reino das Testemunas de Jeová de 2000 até 2006.as Testemunhas de Jeová Dizem que Jesus Não é Deus.assim tambem eu pensava antes.
    Mais depois de ler os que os Pais da Igreja do Seculo II e III acreditavam e ler estudos Bíblicos Catlicos,Ortodoxos e Evangelicos passei a Crer na Divindade de Jesus.eu creio que Jesus é Deus.

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  16. Gyordano em João 6 à partir do v.22 Jesus está se referindo a santa ceia, v 53-59? E a ceia se torna algo santo "santa" ceia?

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  17. Em certo sentido, sim. Ele os elementos da Comunhão (pão e vinho) como símbolos da vida espiritual. Comer a carne e beber o sangue, nesse texto, significam crer nele.

    A Comunhão não "se torna" santa. Ela é santa.

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  18. Gyordano, como entender a oniciencia de Jesus alguns versiculos parece ser contraditorio, e no caso dos arminianos dizerem que não existe predestinação e sim preciencia? Poderia me esclarecer esses ponto por favor?

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    1. Quais versículos parecem ser contraditórios?

      A Bíblia ensina tanto a presciência (1 Pedro 1:2) quanto a predestinação (Efésios 1:4-6). Presciência é o conhecimento de Deus acerca do nosso futuro. Predestinação é a determinação de Deus dos acontecimentos do nosso futuro.

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  19. Como por exemplo a mulher do fluxo de sangue, Jesus sabia ou não que era a mulher que o tocara? Por você ter mais conhecimento sobre essa questão arminiana e calvinista poderia mostrar os pró e contra de ambas por favor, ainda não consegui entender.

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    1. A resposta clássica para a primeira pergunta parte do conceito de "união hipostática": Jesus tinha duas mentes, uma humana e uma divina (ou, do contrário, não seria perfeitamente humano e perfeitamente divino). Sua mente humana era limitada (veja Lucas 2:52), ao passo que sua mente divina era ilimitada em conhecimento. Assim, havia muitas coisas que Jesus sabia com sua mente divina, mas não com a mente humana.

      O "pró" do arminianismo é afirmar a necessidade do esforço na perseverança (Filipenses 2:12).

      O "pró" do calvinismo é afirmar a predestinação e a necessidade absoluta da graça (Filipenses 2:13).

      O "contra" de ambas é o mesmo: tentar limitar a revelação bíblica da salvação a um esquema simples, o arminianismo negando a predestinação e o calvinismo negando a queda (a partir) da graça.

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